domingo, 1 de fevereiro de 2015

ZÉ CONHAQUE




Era assim que ele me amava,
Assim ele me queria,
Era preciso ser bonita,
Era preciso ser brava e gostosa,
Mulheres , ele tinha todas,
Em cada esquina, em cada bar,
Era preciso ser macho e livre,
Era preciso estar sempre disposto
Amor era só um,
Eu era a matriz, eu era a número um,
Eu era a preferida, a dona da pensão...
Era pra minha casa, pras minhas coxas
que ele voltava toda noite
Cansado, sujo, cheirando a perfume barato,
Chamavam a ele Zé Conhaque,
Jogava-se na minha cama, ainda molhado do banho,
Acalorado e bem disposto,
Me amava, cheio de força e vontade,
Me chamava Minha Branca,
Cheirava meus cabelos, e o vão dos meus seios,
Beijava minhas mãos e minha boca,
Mas, era entre minhas coxas que comumente adormecia,
Era como uma trincheira, um esconderijo,
Ele vivia a batalha lá fora, mas
Descansava em mim...

Vera Celms
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