domingo, 22 de fevereiro de 2015

EDIFÍCIO GAIVOTAS





Ritmados gemidos formais, a médio volume de voz,
De repente, dão  lugar a expressivos altos gemidos
Um ai, seguido de outro, e um:  AMOR! - Quase bradado... -
Então um gemido afinado... em falsete... - Ai, ai,  amor !
Veem então, afinados altos respirares, 
gemidos contínuos e incessantes
Ouve-se claramente,
o bater, forte, vigoroso, da pélvis dele, 
nas coxas traseiras dela,
Violentas estocadas, inconfundíveis
Ela pede, que gritando,  ele diga  seu nome
Quando suponho descobrir,
o nome da vizinha trepadeira da madrugada, 
ouço um derradeiro alto gemido, 
acompanhado ainda, pelo batucar indecente da cama,
e afinal tudo volta,
ao solene silêncio da madrugada.
Suponho, que satisfeitos, dormem...
Aguardo, agora insone, 
a próxima noite de amor,
num apartamento qualquer de final 2,
do edifício Gaivotas.

Vera Celms
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