domingo, 22 de fevereiro de 2015

EDIFÍCIO GAIVOTAS





Ritmados gemidos formais, a médio volume de voz,
De repente, dão  lugar a expressivos altos gemidos
Um ai, seguido de outro, e um:  AMOR! - Quase bradado... -
Então um gemido afinado... em falsete... - Ai, ai,  amor !
Veem então, afinados altos respirares, 
gemidos contínuos e incessantes
Ouve-se claramente,
o bater, forte, vigoroso, da pélvis dele, 
nas coxas traseiras dela,
Violentas estocadas, inconfundíveis
Ela pede, que gritando,  ele diga  seu nome
Quando suponho descobrir,
o nome da vizinha trepadeira da madrugada, 
ouço um derradeiro alto gemido, 
acompanhado ainda, pelo batucar indecente da cama,
e afinal tudo volta,
ao solene silêncio da madrugada.
Suponho, que satisfeitos, dormem...
Aguardo, agora insone, 
a próxima noite de amor,
num apartamento qualquer de final 2,
do edifício Gaivotas.

Vera Celms
Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

PERMITA-ME O TALVEZ





Deixa que te confesse ao acaso
O olhar libidinoso que tenho ao te olhar
A salivação intensa, ao te imaginar,
Deixa, entre o SIM e o NÃO, que o talvez apimente,
Experimente de mim cada reticência
Cada expressão evasiva,
Ao dizer-te não, sem jeito, e sem querer,
Deixe que te mostre entregue,
Em pelo,
Lasciva e safada,
Que o caminho da tua cama,
Pode ser conhecido amanhã,
Mas hoje, fêmea,
Quero ser cortejada, conquistada,
Seduzida e apaixonada,
E só amanhã te seguirei, nua
Completamente sua...

Vera Celms
Licença Creative Commons
PERMITA-ME O TALVEZ de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

ZÉ CONHAQUE




Era assim que ele me amava,
Assim ele me queria,
Era preciso ser bonita,
Era preciso ser brava e gostosa,
Mulheres , ele tinha todas,
Em cada esquina, em cada bar,
Era preciso ser macho e livre,
Era preciso estar sempre disposto
Amor era só um,
Eu era a matriz, eu era a número um,
Eu era a preferida, a dona da pensão...
Era pra minha casa, pras minhas coxas
que ele voltava toda noite
Cansado, sujo, cheirando a perfume barato,
Chamavam a ele Zé Conhaque,
Jogava-se na minha cama, ainda molhado do banho,
Acalorado e bem disposto,
Me amava, cheio de força e vontade,
Me chamava Minha Branca,
Cheirava meus cabelos, e o vão dos meus seios,
Beijava minhas mãos e minha boca,
Mas, era entre minhas coxas que comumente adormecia,
Era como uma trincheira, um esconderijo,
Ele vivia a batalha lá fora, mas
Descansava em mim...

Vera Celms
Licença Creative Commons
ZÉ CONHAQUE de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.