domingo, 3 de agosto de 2014

FUGIR DE QUÊ?





Um acaso, não é simples explicar, como pode parecer.
Cada vez mais comum hoje, encontrar pessoas na Internet:  a grande Rede.
Redes sociais, chats, sites de comunicação, enfim, grandes encontros de gente que procura gente.
Há tempos procuro gente pra conversar. Bater papo com pessoas interessantes, conhecer alguém, e não nego, que tenho um olho no futuro!
Esperança a gente sempre tem. Sempre espera que o acaso, promova o principal encontro.
Enquanto não conhecemos a pessoa certa, vamos conhecendo gente que vem, e simplesmente passa.  Contatos ligeiros, superficiais. Alguns assuntos interessantes, outros constrangedores, alguns  só para passar o tempo.
Certa noite, entrei num desses chats, salas de bate-papo, e rapidamente fui abordada por varias pessoas, normalmente homens.
É inegável que a grande maioria das pessoas que frequentam essas salas, procuram sexo imediato (virtual), fácil, rápido e passageiro. Na maioria dos casos, conversam, provocam, se exibem, chegam ao prazer e como fumaça, somem. Simplesmente desconectam e nunca mais encontramos.
Foi assim que Jair me abordou, numa dessas salas. Entretanto, a proposta parecia outra.  Buscava conversar, conhecer, trocar informações, conhecimento mesmo. Não demorou para que trocássemos endereços para CONVERSAS IMEDIATAS.
Ali começava algo, ainda não sabia exatamente definir. Conversamos, e não demorou para que o assunto sexo se iniciasse, entretanto, de forma diferente.
Começamos a contar um pouco de nossas histórias, de nossos encontros e desencontros.  Ele, do Rio de Janeiro e eu de São Paulo. Distantes o bastante, ainda que isso não representasse segurança, nem insegurança.
Falamos de sexo, de nossas faltas e carências. Das deficiências de relações anteriores, de desejos, fantasias e fetiches.
Um de nós (que não vem ao caso identificar), perdeu o cônjuge para uma relação homoafetiva. O outro, sofreu com a canalhice do cônjuge perdido.  Histórias densas o suficiente para que a identificação aumentasse.
Conversamos por vários dias, falamos de vários assuntos, até que Jair declarou sentir-se atraído sexualmente por mim. Não estranhei, pois vários homens declaram o mesmo, independente da troca de imagens íntimas ou provocantes.
As fantasias e fetiches de Jair, sobrepunham as minhas em intensidade e ousadia.  Ele sente desejos mais drásticos e dramáticos. Falou-me de dominação, de submissão, de sensações por reações fisiológicas. Eram coisas em que não costumava pensar, nem nos meus devaneios mais secretos.
Aos poucos, senti que tornava-me sua confidente/consultora. Perguntava minha opinião sobre seus impulsos mais bizarros, sobre suas decisões mais delicadas. Contava comigo para ajudar a pensar no lado emocional de algumas aventuras, ainda que só planejadas.
Enviou-me fotos, falou abertamente sobre seus prazeres, sobre seus desejos, sobre como eu o atiço.
Impossível não observar a forma incisiva como me olha!
Despe-me a distancia, excita-me sem me tocar, sem se mostrar, sem me ver intimamente.
Impressionante como minhas palavras chegam aos seus ouvidos, como caricias. Aos poucos, vai perdendo a tranquilidade e noto seu braço mexer-se ritmadamente, abaixo do alcance da câmera do computador.
Seus olhos semicerram-se, seus lábios umedecem-se, suas palavras ganham semitons, seus olhos vão procurando imagens que não veem, que só existem em sua imaginação. Nua, sinto-me nua neste momento. Impossível não me excitar.
Costumo estar em casa, bem a vontade. Calcinha e sutiã, com uma blusa ou camiseta por cima. Quando falo com Jair, a pouca roupa ainda me incomoda. Tenho vontade de tirar a calcinha e mostrar a ele o que ele tanto quer ver.
O dedo percorre o vão úmido, marcado pela lycra quase transparente. De repente, transpõe  o elástico, fazendo-me sentir a lisura da excitação... indescritível sensação...
Não preciso contar a ele o que faço, para que note. E a velocidade do movimento ritmado do seu braço, aumenta. Respiração ofegante de ambos os lados, a pele corada, sensação de calor. De repente, noto estar entregue diante do computador, ainda que não exposta. Desligo a câmera rapidamente, no intuito de fugir.
De imediato a chamada de câmera reinicia. Recuso. Insistente, novo pedido. Recuso.
Sei de seu desespero. Conheço o meu desespero.
Excitação flagrante. Não há como esconder. Não há como negar.
Sem coragem, passo dias sem acessar a conversa imediata da rede. Foram três ou quatro dias, sem coragem de entrar... louca de vontade, completamente nervosa, e sem coragem. Celular desligado.  Como se eu quisesse, ou pudesse fugir.
No quinto dia, a saudade já incomoda. A ansiedade cutuca.
Resolvo ligar o celular, são várias ligações perdidas, algumas mensagens de texto. Jair me procura feito louco.
Palavras doces e gentis. Romance no ar !!! Impossível não querer esse homem!
Com o celular na mão, nova ligação. É o Jair novamente.
Não atendo e ele insiste.  Afinal, depois de quatro ou cinco ligações seguidas (ele nota que o celular está afinal ligado), eu atendo:
-  Alô!!!
-  Alô menina!!! O que houve? Porque sumiu?
-  Jair...
-  Estou em S.Paulo. Vai me mandar embora? Não acredito que
   vai me sacanear. Quero te ver.

Comecei a transpirar! Imediatamente, senti meu corpo arder.

-  Claro que não!
-  Vai me encontrar no Hotel, ou eu vou a sua casa?
-  Vou te encontrar no Hotel, Jair.

Transpirava, mãos geladas e úmidas, corada, excitada, nervosa. Bom banho, roupa leve, sandálias rasas, perfume marcante, maquiagem leve, cabelos curtos esvoaçantes.
Sabia que não precisava de grande produção. Eu me bastaria, já que a excitação e o romance, estava no ar, presente...
Imaginação e criatividade não faltariam. Mãos curiosas, respiração ofegante, olhares sedentos...
Não sei como será! Ansiedade monstruosa...
O corpo queima, pensamento antiaderente, os pés não sinto tocar o chão.
O celular toca novamente.  Marcamos no saguão do Hotel. Vamos tomar um café, um refresco, um vinho, um tempo para respirar.
Nos vimos de longe, quando cheguei ao local marcado. O coração disparou, aqui e lá também. Olhos faiscantes, loucos, inquietos, querem percorrer os corpos todos e toda a área envolta. Vontade de representar calma, discrição, isenção, mas não adianta, o corpo aos dois delata.
Estamos trêmulos, até na voz. Por um momento, a vontade é voltar correndo, no seguinte a vontade é de entrega.
Vamos ao bar do hotel e pensando em pedir dois cafés, acabamos por pedir um vinho branco.  Duas garrafas, e a respiração parece estar mais fácil, o corpo um pouco mais relaxado, subimos para o quarto, com o pedido de mais uma garrafa de vinho.
O calor é ameno, mas o fogo é imenso!
De repente, quarto adentro, dei-me com uma antiga sensação, que bem me lembro da adolescência:   o perigo de estar sozinha com um homem em lugar isolado, a iminência da posse, a certeza de sentir e saber que dali, não sairei ilesa, e não quereria sair.
Mal bateu-se a porta do quarto, fui tomada por trás, contra a parede do quarto. Beijada, lambida, apertada...  no pescoço, nas costas, no colo, nos ouvidos... já ensurdecidos...
Podia sentir forte suas mãos em mim, a pegar, apalpar, vasculhar.  Sua dura excitação a me cutucar  forte por trás, entre as coxas já trêmulas. Meus seios, de repente protegidos do contato duro da parede por suas mãos, enquanto o corpo se impunha ao meu...  inflexível...
Impossível não gemer, não pedir mais...
Não durou mais que dois minutos, minha calcinha separando a lisura da minha excitação, da lisura dele... e senti-o roçando meu vão todo, em movimentos firmes, ritmados e nervosos. 
Seus pés então, afastaram os meus, e com minha calcinha, que não resistiu a força de suas mãos, caída no chão, senti o duro golpe do que ainda há pouco pressentia.  Agora, era fato: eu era dele a fêmea no cio, rebolante e excitada, quase aos pulos, sentindo-o estocar em mim, todo o tesão acumulado, duro e inflexível. Contato que fazia com que me sentisse em chamas, invadida e rasgada e pedindo mais....
Da parede para a  mesa, para o sofá, para o tapete...  para o chuveiro... que pensei acalmar um pouco nossos ânimos;  falsa impressão, quando então, ajoelhada, tomei-o na boca... fi-lo levitar, gemer, suplicar para não parar...
E como dois animais, continuamos, nos roçando, nos apertando, subindo um no outro... em beijos e sucções, lambidas e invasões, noite adentro, até desmaiarmos de cansaço, um sobre o outro, até recomeçarmos no despertar.
Afinal, fugir de quê?

Vera Celms
Licença Creative Commons
FUGIR DE QUÊ? de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário