domingo, 31 de agosto de 2014

AINDA QUE





Conversa comigo,
Conta pra mim, o que te toca,
O que mexe com tua libido,
sabendo mexer com a minha,
O que faz o fio descascar
Curto circuitos a dois são bem-vindos,
Imposto, é agressão,
Entre outros assuntos,
peça a peça, a nudez aparece, e convence,
Imposta, no repente, provoca estupefação,
Algo entre susto e flagrante,
Como pegar-se nua em praça publica,
Cobriria partes pudentas, olhos,
Me esconderia como pudesse,
Fugiria do “tarado”, solapado no vão do portão,
Ainda que, depois de sozinha, segura,
Me acabasse, só de lembrar!!!

Vera Celms
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AINDA QUE de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

sábado, 30 de agosto de 2014

DENGO




Vinha um cheiro de terra molhada
de suor de terra. Um cheiro de calor
quando afundei a cabeça no teu peito
rude, nas tuas mãos que procuravam
sem nenhum pudor.
Vinha um cheiro de teia de aranha
de pêlo, de coisa escondida, de entranha.
Um cheiro de cana que incendeia
de vento que espalha poeira
um cheiro de meia noite e meia.
De feira. De alface, de pêssego azedo
de quem desenhasse no musgo com o dedo
de lençol já muito usado
um cheiro confidente, cúmplice
de algum pecado.
Um cheiro acostumado com as estações de subúrbio,
com passeios a pé, com pilhas de livros,
com expectativa dos poros. O doce contato.
Um cheiro muito mais do que um cheiro de mato.
Um cheiro de louco, que obriga, que engana
um cheiro que emana do fundo de um poço
debaixo de um braço.
Um cheiro de carne, de cama, sacana,
de terra ardendo debaixo da grama.
Um cheiro acridoce de corpo melado
que rola, esparrama e aperta
a minha cabeça no meio de um peito
com cheiro engraçado.
BRUNA LOMBARDI
"No Ritmo Dessa Festa"

domingo, 24 de agosto de 2014

AMA-ME, QUEIRA-ME, LEVA-ME





Nossos sonhos não somente sonham,
Respiram despertos,
Na noite enluarada,
a lua é quem nos assiste e cobre,
Assistiremos a lua, românticos,
depois de satisfeitos desejos,
Fantasias, fetiches, feitiço,
Anseios de pele, de olhos, de pelos,
Roçares e salivares,
Imaginários gostos, tórridos gozos,
Picos de indecente pecado moram em teu corpo,
Pecadora, espero-te
Busco-te em sonho, acordo em fogo,
procurando proteção na tua lascívia,
Ama-me, queira-me, leva-me contigo,
Ao paraíso ou ao inferno, transcenderei
Dedos adocicados,
no teu peito ou no teu colo, te acompanharei.
Chama-me dama ou puta, tua fêmea serei
Sem pecado e sem pudor,
Adormecerei gemendo
Acordarei cantando profanos tons,
Ama-me, queira-me, leva-me contigo,
por onde for...

Vera Celms
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OBJETIVO DA CRIAÇÃO em MEUS FETICHES do FB

Mulheres fazem 3 pedidos para São Pedro comunicar a Deus
- Primeiro, queremos menstruar a cada seis meses em vez de todo mês.
São Pedro anota o primeiro pedido.
- Segundo, nós queremos ficar grávidas por 3 meses porque 9 meses é muita coisa!
São Pedro anota o segundo pedido e fala:
- E qual é o terceiro?
- Queremos que o “órgão reprodutor” do homem seja mais bonito, porque é horrível!
São Pedro anota tudo e fala para se reunirem em 1 mês para lhes dar as Respostas de Deus.
Um mês depois voltam a se reunir.

São Pedro começa o discurso:
-O pedido nº 1 foi aceito parcialmente, vocês vão menstruar a cada 4 meses, porque o pedido de seis meses é muito longo e isso, alteraria o objetivo da Criação.
-O pedido nº 2 foi aceito parcialmente. A gravidez será de 6 meses porque 3 meses é muito pouco. Isso alteraria o objetivo da Criação.
- Já o 3º pedido foi negado totalmente por Deus!!
As mulheres começaram a berrar e reclamar:
-Por quê, senhor?
São Pedro responde:
-Porque se feio, peludo e desajeitado vocês chupam, lambem, beijam, alisam, sentam e pulam em cima, feito umas loucas, se fosse bonito vocês iriam comer e isso, definitivamente, alteraria o objetivo da Criação…
Meus Fetiches NO FACEBOOK

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ACESA





De um precisava pouco mais de volúpia,
Do outro um pouco mais de romantismo
De um precisava um pouco mais de assunto,
Do outro, um olhar mais atento,
um pouco mais de gentileza
Aquele que tem tudo na medida, é inconstante,
Não preciso de grandes incêndios
Nem de geleiras gigantes
Preciso de colo, de concha, de abraço,
Pimenta suficiente,
Açúcar também,
Na vida tudo é tempero, sem exagero,
Tudo é via de duas mãos,
Na vida, tudo é vida, em movimento,
Grandes deslocamentos fazem quebrar
Grandes acomodações, fazem estancar,
Preciso de vento leve, chuva esparsa,
Frio e calor ameno,
Preciso da noite para amar,
Do dia pra sentir saudade,
Preciso de você, comigo,
Preciso de mim, completa
Te daria tudo, me entregaria inteira,
Criaria espetáculos de mim,
Seria eu, festa...
Brindaria, celebraria,
Com meu gozo, te homenagearia,
Na solidão do meu quarto,
ou diante dos teus olhos estupefatos,
Adormeceria então, sussurrando teu nome
Sonharia contigo,
E pronta, despertaria buscando você, acesa...

Vera Celms
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ACESA de Vera Celms está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

domingo, 3 de agosto de 2014

FUGIR DE QUÊ?





Um acaso, não é simples explicar, como pode parecer.
Cada vez mais comum hoje, encontrar pessoas na Internet:  a grande Rede.
Redes sociais, chats, sites de comunicação, enfim, grandes encontros de gente que procura gente.
Há tempos procuro gente pra conversar. Bater papo com pessoas interessantes, conhecer alguém, e não nego, que tenho um olho no futuro!
Esperança a gente sempre tem. Sempre espera que o acaso, promova o principal encontro.
Enquanto não conhecemos a pessoa certa, vamos conhecendo gente que vem, e simplesmente passa.  Contatos ligeiros, superficiais. Alguns assuntos interessantes, outros constrangedores, alguns  só para passar o tempo.
Certa noite, entrei num desses chats, salas de bate-papo, e rapidamente fui abordada por varias pessoas, normalmente homens.
É inegável que a grande maioria das pessoas que frequentam essas salas, procuram sexo imediato (virtual), fácil, rápido e passageiro. Na maioria dos casos, conversam, provocam, se exibem, chegam ao prazer e como fumaça, somem. Simplesmente desconectam e nunca mais encontramos.
Foi assim que Jair me abordou, numa dessas salas. Entretanto, a proposta parecia outra.  Buscava conversar, conhecer, trocar informações, conhecimento mesmo. Não demorou para que trocássemos endereços para CONVERSAS IMEDIATAS.
Ali começava algo, ainda não sabia exatamente definir. Conversamos, e não demorou para que o assunto sexo se iniciasse, entretanto, de forma diferente.
Começamos a contar um pouco de nossas histórias, de nossos encontros e desencontros.  Ele, do Rio de Janeiro e eu de São Paulo. Distantes o bastante, ainda que isso não representasse segurança, nem insegurança.
Falamos de sexo, de nossas faltas e carências. Das deficiências de relações anteriores, de desejos, fantasias e fetiches.
Um de nós (que não vem ao caso identificar), perdeu o cônjuge para uma relação homoafetiva. O outro, sofreu com a canalhice do cônjuge perdido.  Histórias densas o suficiente para que a identificação aumentasse.
Conversamos por vários dias, falamos de vários assuntos, até que Jair declarou sentir-se atraído sexualmente por mim. Não estranhei, pois vários homens declaram o mesmo, independente da troca de imagens íntimas ou provocantes.
As fantasias e fetiches de Jair, sobrepunham as minhas em intensidade e ousadia.  Ele sente desejos mais drásticos e dramáticos. Falou-me de dominação, de submissão, de sensações por reações fisiológicas. Eram coisas em que não costumava pensar, nem nos meus devaneios mais secretos.
Aos poucos, senti que tornava-me sua confidente/consultora. Perguntava minha opinião sobre seus impulsos mais bizarros, sobre suas decisões mais delicadas. Contava comigo para ajudar a pensar no lado emocional de algumas aventuras, ainda que só planejadas.
Enviou-me fotos, falou abertamente sobre seus prazeres, sobre seus desejos, sobre como eu o atiço.
Impossível não observar a forma incisiva como me olha!
Despe-me a distancia, excita-me sem me tocar, sem se mostrar, sem me ver intimamente.
Impressionante como minhas palavras chegam aos seus ouvidos, como caricias. Aos poucos, vai perdendo a tranquilidade e noto seu braço mexer-se ritmadamente, abaixo do alcance da câmera do computador.
Seus olhos semicerram-se, seus lábios umedecem-se, suas palavras ganham semitons, seus olhos vão procurando imagens que não veem, que só existem em sua imaginação. Nua, sinto-me nua neste momento. Impossível não me excitar.
Costumo estar em casa, bem a vontade. Calcinha e sutiã, com uma blusa ou camiseta por cima. Quando falo com Jair, a pouca roupa ainda me incomoda. Tenho vontade de tirar a calcinha e mostrar a ele o que ele tanto quer ver.
O dedo percorre o vão úmido, marcado pela lycra quase transparente. De repente, transpõe  o elástico, fazendo-me sentir a lisura da excitação... indescritível sensação...
Não preciso contar a ele o que faço, para que note. E a velocidade do movimento ritmado do seu braço, aumenta. Respiração ofegante de ambos os lados, a pele corada, sensação de calor. De repente, noto estar entregue diante do computador, ainda que não exposta. Desligo a câmera rapidamente, no intuito de fugir.
De imediato a chamada de câmera reinicia. Recuso. Insistente, novo pedido. Recuso.
Sei de seu desespero. Conheço o meu desespero.
Excitação flagrante. Não há como esconder. Não há como negar.
Sem coragem, passo dias sem acessar a conversa imediata da rede. Foram três ou quatro dias, sem coragem de entrar... louca de vontade, completamente nervosa, e sem coragem. Celular desligado.  Como se eu quisesse, ou pudesse fugir.
No quinto dia, a saudade já incomoda. A ansiedade cutuca.
Resolvo ligar o celular, são várias ligações perdidas, algumas mensagens de texto. Jair me procura feito louco.
Palavras doces e gentis. Romance no ar !!! Impossível não querer esse homem!
Com o celular na mão, nova ligação. É o Jair novamente.
Não atendo e ele insiste.  Afinal, depois de quatro ou cinco ligações seguidas (ele nota que o celular está afinal ligado), eu atendo:
-  Alô!!!
-  Alô menina!!! O que houve? Porque sumiu?
-  Jair...
-  Estou em S.Paulo. Vai me mandar embora? Não acredito que
   vai me sacanear. Quero te ver.

Comecei a transpirar! Imediatamente, senti meu corpo arder.

-  Claro que não!
-  Vai me encontrar no Hotel, ou eu vou a sua casa?
-  Vou te encontrar no Hotel, Jair.

Transpirava, mãos geladas e úmidas, corada, excitada, nervosa. Bom banho, roupa leve, sandálias rasas, perfume marcante, maquiagem leve, cabelos curtos esvoaçantes.
Sabia que não precisava de grande produção. Eu me bastaria, já que a excitação e o romance, estava no ar, presente...
Imaginação e criatividade não faltariam. Mãos curiosas, respiração ofegante, olhares sedentos...
Não sei como será! Ansiedade monstruosa...
O corpo queima, pensamento antiaderente, os pés não sinto tocar o chão.
O celular toca novamente.  Marcamos no saguão do Hotel. Vamos tomar um café, um refresco, um vinho, um tempo para respirar.
Nos vimos de longe, quando cheguei ao local marcado. O coração disparou, aqui e lá também. Olhos faiscantes, loucos, inquietos, querem percorrer os corpos todos e toda a área envolta. Vontade de representar calma, discrição, isenção, mas não adianta, o corpo aos dois delata.
Estamos trêmulos, até na voz. Por um momento, a vontade é voltar correndo, no seguinte a vontade é de entrega.
Vamos ao bar do hotel e pensando em pedir dois cafés, acabamos por pedir um vinho branco.  Duas garrafas, e a respiração parece estar mais fácil, o corpo um pouco mais relaxado, subimos para o quarto, com o pedido de mais uma garrafa de vinho.
O calor é ameno, mas o fogo é imenso!
De repente, quarto adentro, dei-me com uma antiga sensação, que bem me lembro da adolescência:   o perigo de estar sozinha com um homem em lugar isolado, a iminência da posse, a certeza de sentir e saber que dali, não sairei ilesa, e não quereria sair.
Mal bateu-se a porta do quarto, fui tomada por trás, contra a parede do quarto. Beijada, lambida, apertada...  no pescoço, nas costas, no colo, nos ouvidos... já ensurdecidos...
Podia sentir forte suas mãos em mim, a pegar, apalpar, vasculhar.  Sua dura excitação a me cutucar  forte por trás, entre as coxas já trêmulas. Meus seios, de repente protegidos do contato duro da parede por suas mãos, enquanto o corpo se impunha ao meu...  inflexível...
Impossível não gemer, não pedir mais...
Não durou mais que dois minutos, minha calcinha separando a lisura da minha excitação, da lisura dele... e senti-o roçando meu vão todo, em movimentos firmes, ritmados e nervosos. 
Seus pés então, afastaram os meus, e com minha calcinha, que não resistiu a força de suas mãos, caída no chão, senti o duro golpe do que ainda há pouco pressentia.  Agora, era fato: eu era dele a fêmea no cio, rebolante e excitada, quase aos pulos, sentindo-o estocar em mim, todo o tesão acumulado, duro e inflexível. Contato que fazia com que me sentisse em chamas, invadida e rasgada e pedindo mais....
Da parede para a  mesa, para o sofá, para o tapete...  para o chuveiro... que pensei acalmar um pouco nossos ânimos;  falsa impressão, quando então, ajoelhada, tomei-o na boca... fi-lo levitar, gemer, suplicar para não parar...
E como dois animais, continuamos, nos roçando, nos apertando, subindo um no outro... em beijos e sucções, lambidas e invasões, noite adentro, até desmaiarmos de cansaço, um sobre o outro, até recomeçarmos no despertar.
Afinal, fugir de quê?

Vera Celms
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