sábado, 28 de junho de 2014

ABERTA AO ACASO





O acaso te colocou diante de mim,
Ainda reticente, insegura,
Olho evasiva,
Diante de teus olhos incrédulos,
Deixo escapar uma fresta da minha intimidade,
Sob a saia, distraída,
Noto a manifestação do seu querer,
A mão não oculta,
Os olhos não enganam mais...
Faiscantes, brilham,
Procurando o descuido,
Como um lobo faminto, espiando a caça,
Vejo-te salivar,
Buscando mais e mais...
O corpo projetado a frente,
As pernas entreabertas, inquietas e nervosas,
Denunciam que o bote está próximo,
Não vejo a hora de ver-te perder o controle,
O juízo, e o rumo...
Vou manter distancia segura
Entre a tentação e a loucura
Mostra pra mim,
Que sob sua pele, seu sangue me quer,
Que sob suas pálpebras semicerradas,
há a minha provocante imagem...
Que sob a sua roupa, a túmida loucura se avoluma,
Sinalizando que qualquer ponto será lugar,
Que toda palavra é um sussurrar,
Deliciosas ofensas,
Fendas, rendas
e a sedução, tatuada na pele,
Olores agridoces, tão próprios, inconfundíveis,
Penetrantes,
Dedos, esbarrados em prazer, brilham,
E no momento seguinte, confundem-se com a saliva,
Lábios docemente aromatizados,
Se juntam aos seus,
Que brilham, como os dedos,
Participantes de um mesmo libidinoso beijo,
Aberta de prazer...

Vera Celms
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