domingo, 22 de setembro de 2013

E NÃO É SÓ HOJE





Hoje, apetecia-me ser amada
Olhada, desejada,
Sorvida, salivada,
Apetecia-me sentir seus olhares
Focados na minha intimidade
Descuidadamente exposta,
aberta, molhada, cheirosa,
Apetecia-me ouvir de você,
Pedidos indecentes,
Imoralidades salientes
Palavras calientes
Apetecia-me ser provocada,
Bolinada, mexida, roçada,
Apetecia-me ver você excitado,
Ver você interessado, curioso,
Libidinoso, carinhoso, safado,
Túmido e molhado,
Pronto a nossa particular perversão
Hoje apetecia-me, que visitasse minha noite
E a se esfregar em mim – como um dia prometido –
Fizesse a nós, levitando,
viajar, transcender...
movidos, unicamente, por nossas asas...

Vera Celms
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domingo, 15 de setembro de 2013

AOS POUCOS VOCÊ




Queria te querer devagar

Como os lobos que espreitam

Sem se deixar ver

Dizer dos sonhos

Dizer dos desejos

Como a tempestade que chega

Cobrindo a luz do sol

Queria sentir a proximidade do seu hálito

Suave e avassalador

Queria sentir o toque dos seus dedos

Como quem toca as asas de uma borboleta

Sem ferir...

Queria me sentir tua musa

A princesa que habitou seus sonhos

A vida inteira

E que se desmancha diante dos seus olhos

Sobre seus lençóis

Sem se esconder

Mas, queria que se aproximasse

Como quem conquista um sonho

Como quem investiga uma miragem

Como quem observa uma entidade

Capaz de se desintegrar dentro da sua boca

Num beijo apaixonado

E só então dando-se a conhecer,

A cada sabor,

O doce, o ácido, o picante,

Até fazer-te adormecer os sentidos todos

Entre espasmos e fluidos,

O corpo cansado,

sobre meu corpo extasiado...



Vera Celms
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domingo, 8 de setembro de 2013

TESÃO DE VENTANIA





Vento repentino
Fez poeira levantar do chão
Fez folhas correrem barulhentas
Fez as saias dela subirem violentas
Flagrada com as mãos carregadas
Não havia como cuidar
Agachada esperando a ventania passar
Os machos todos pararam pra olhar
O mulheril tentando ajudar
Não havia solução
A ventania veio pra ficar
E quem olhava torcia pra não parar
E ela, corada, tentando se esconder
Guarneceu-se de frente e de trás
Com todas as sacolas carregadas
E numa loja se escondeu
Ninguém de lá se moveu,
Quando chegou em casa,
A doce fêmea excitada,
Deixou-se ver,
Nua, provocante, bolinada,
Por detrás da esvoaçante cortina de voil
Dizendo então pra toda gente
Que o vento agradara
Mexera, excitara, acendeu-lhe a tara
E ali então deixou-se cair sobre a poltrona
Saciada, cansada e extasiada,
Quiçá, até a próxima ventania...
Que poderá ser amanhã, ou noutro dia...

Vera Celms
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domingo, 1 de setembro de 2013

MACHO VIRIL







Olhar insinuante
Insinua tudo o que sentes ao me olhar
Sentes, insinuante, o que lhe provoco,
E conta-me, tudo...
Perderei meus dedos,
na onda que seu cabelo faz
Dedilharei os pelos que teu rosto tem,
e um a um, desvendarei-os
Buscarei em teu peito,
Na extensão do seu másculo tórax
O apoio necessário para alcançar,
teu largo pescoço,
para lhe cheirar, beijar e abraçar,
Figura tão doce quanto viril,
Boca de ler pecados
Mãos de procurá-los todos,
Entregaria ao teu insinuante seguro olhar,
Todas as imagens de mim
E a tua sensibilidade,
todas as minhas insinuações...

Vera Celms
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