domingo, 30 de junho de 2013

SEXUAL DESPACHO



O sangue corria quente,

Fervendo sob a pele afogueada,

Tive vontade de mostrar ao mundo

O que é somente teu, bem no fundo

Pensei em me expor

Sair a rua, por baixo da saia, nua

Sentar num bar, a perna descruzar

E deixar o povo olhar

Abrir a cortina, a janela, em pelo,

Mas, na rua de casa, achei mau apelo

Mostrar a rua, eu toda nua

Então apelei a tecnologia,

Fui eu então a uma sala virtual de orgia

Posicionei a câmera pescoço abaixo

E ali aticei o facho

E mostrei a todo macho,

Com quantas mãos se faz um sexual despacho...



Vera Celms



domingo, 16 de junho de 2013

COM SAUDADE REVIVER





Há coisas que a gente nunca esquece

Andar de bicicleta,

A comida da infância

O caminho de casa,

A batida da musica preferida

Aquele perfume

O gosto daquele beijo

A intensidade daquele abraço

...   A forma como ele me olhava ...

Quando brigava comigo,

Quando queria entender alguma coisa

Quando estava excitado

Querendo fazer amor

...  Como aquela mão encontrava ...

Pontos certos,

Formas exatas,

Meios de transpor zíperes, botões,

Rendas, lycras, fechos

E com uma só mão ...

...   Como brilhavam seus olhos   ...

Ao ver meus esconderijos todos expostos

Molhados, pulsantes,

Ao alcance de sua mais pontual excitação

De suas ávidas e habilidosas mãos

De sua língua curiosa e ousada

Impossível esquecer,

Tão bom e inevitável lembrar

Com saudade, reviver...



Vera Celms

domingo, 9 de junho de 2013

SÓ, NO ESPELHO




Desnudei meu corpo pra você
Toques, gestos, desejos, todos nus
Quis quebrar todas as barreiras
Atravessar tempo e espaço
Cair no teu colo excitado
Dar meu corpo ao teu deleite
Sentir teus dedos na ponta
de teus abraços safados
Sua boca, não a minha
Senti seu olhar me devorando
Senti você me querendo
Tanto quanto eu te quis
E de repente, fiquei só
Diante do espelho,
a me tocar...

Vera Celms
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O trabalho SÓ NO ESPELHO de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 2 de junho de 2013

VENCIDOS PELO RELÓGIO





Te ouvi pedir meu corpo
Visão íntima excitada
Olhos brilhantes interessados
A mão desassossegada
E da sua boca: - quero você...
Quis dar-me inteira
Atravessar a tela, o Estado,
Pousar na sua cama
Enroscar-me em seus lençóis
Deixar-me capturar
Por seus braços em abraços
Pela curiosidade de suas mãos
Viagem tátil sem volta
Dedilhada e apalpada,
Mas, o relógio de repente parou
E o sonho descontinuou
Contive o desejo, apertando com a mão,
Úmido vértice feminino inflamado
Te esperando voltar...

Vera Celms