domingo, 23 de dezembro de 2012

MARCA DE BATON




A marca do meu baton

Perdida, esquecida,

Descuidada, desinibida

Despudorada,

Largada e alastrada,

Em riscos e borrões,

Na sua pele, na sua roupa,

Se confundem, com as marcas

da falta da mansuetude da libido

enlouquecida, descontrolada,

Tomada de si mesma,

Formatada pela mesma boca,

que suporta o baton delator,

Tudo comedido, planejado,

Estrategicamente medido,

E num instante tudo perdido,

A paz, o comedimento, o juízo,

E lá está, como selo do descontrole,

Anunciando a todos,

Que a paixão ganhou mais uma vez

Um selo, um troféu, uma homenagem,

Estampada, sem nenhum pudor,

O carmim que minha boca enfeita,

Agora a reputação enfeia,

E a devassidão delineia,

Impossível reverter,

Difícil esconder,

É enfim a marca da margem,

O reconhecimento não de culpa,

Mas da rendição,

Da paixão, a redenção

Do tesão, a confissão,

Do enfrentamento, da pegação,

Da suscetibilidade,

Da vulnerabilidade,

Da libidinagem selvagem e lenitiva,

Impura, ingênua e inocente...



Vera Celms
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O trabalho MARCA DE BATON de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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