domingo, 16 de setembro de 2012

BOCA A BOCA





Como não render-me?
Se traz nos olhos brilho de luares,
acumulados enquanto olhava o horizonte,
A procura de mim
Foram tantas noites
Vigilhas incansáveis,
enquanto observava os ponteiros do relógio,
a se atropelarem afoitos
Os contos que carrego valorosos,
sei, te faltam na bagagem
Sorriso doce, meigo, ingênuo
Olhar curioso de quem nunca viu
Avidez ofegante arrepiada
Transparece saliente indisfarçável
Boca sedenta nervosa
Mãos tão úmidas em roupas polvorosas
E o seu imantado desejo puxando o meu
Como não render-me?
Se diante de ti não sossego
Se meu olhar serio é confesso
Pupilas dilatadas delatoras
Salivante pronúncia muda...
Escapa sussurrante seu nome,
Escrevo-o interditado em íntimas folhas
Rabisco-o vã tentativa
Impossível negar corpo inquieto excitado
Rendo-me,
Fecho os olhos em teus braços
Beijo-te,
Boca a boca confessamos:
Enquanto nos beijamos, temos a mesma idade...

Vera Celms
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O trabalho BOCA A BOCA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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