domingo, 9 de setembro de 2012

ASAS COBERTAS




Atiço você, provoco você,
Porque sei que me quer,
Sinto o incontrolado palpitar da tua presença,
Imponho-te sei, a visão do meu desvario,
Porque sei que você me quer,
Deixo entreabertas as pernas
Como a porta de um esconderijo,
E o olhar parecendo perdido,
Como a minha pouca razão,
Impondo-te a minha proximidade,
Mas, só porque sei que você me quer
Cubro a saliência do teu desejo com a mão distraída...
E impunemente, o escondo na minha mão,
Quente, rijo, pulsante como antigamente
Incontrolado como teu pudor,
Me provando que você me quer,
Cubro tuas asas com meu corpo mudo,
Escondendo a tua condição,
Anjo impoluto, ímprobo,
Anjo improvável,
Demência implacável,
Anjo meu...
Porque sei que você me quer,
Se te impede minha distancia, afasta-a; é falsa...
Minha pouca atenção, esquece-a; é aparente,
Minha distração, lance-a longe; é proposital...
Se te impede minha calcinha; arranca-a,
Minha resistência; vence-a,
Meu pudor, relute; é improvável...
Se te impede que eu não te ame;  
peça e eu te seguirei, incondicionalmente...
Leve-me, possua-me, tenha-me, pois te amo... (se puder me amar)
Porque sei que você me quer,
tanto quanto eu te quero...
E por isso poderia viver a tua margem pela vida inteira,
ou somente aportada no teu coração...

Vera Celms
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O trabalho ASAS COBERTAS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença
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