domingo, 30 de setembro de 2012

FAZ COMIGO


Teu toque, tua mão
O esbarrão do acaso
Algo que não quero resistir
Quero me jogar
Me entregar
Quero gozar o momento
Quero ceder aos seus encantos
Quero estar com você
Sei que me quer
Posso ver, quero sentir
Não vou resistir
Na sua presença,
arde meu corpo
queima-me a imaginação
Inquieta e louca, de paixão
Tonta e cega, de tesão
Socorro ligeiro, com a mão
Tremo e estremeço, de emoção
Quero, quero tanto
O contato da sua excitação
Sentir a sua na minha pulsação
Invadir sua roupa sem hesitação
Me deixar levar, invadir
Pelo olhar, pela vontade e pela mão
Vasculha-me
Bolina-me
Apalpa-me,
Aperta-me
Faz do meu corpo sua distração
Do meu desejo sua diversão
Do meu interesse a sua atenção
E do meu gozo, a sua realização

Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra FAZ COMIGO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 23 de setembro de 2012

SONHO, MAGIA, MALICIA...



Você é um farsante
Cheio de sonhos,
Falsos sonhos acordados,
Invenções imaginárias
Não procuro santos a esculpir
Quero lobos vadios,
Atravessando meu caminho,
Impuros, impolutos, impudicos,
Procuro o calor da pele, dos pelos,
Procuro o calor da libidinagem acesa
Não quero títulos,
Nem rótulos,
Te quero personagem da minha poesia,
Minha inspiração mais devassa,
Mais inconfessável,
Não quero nomes, nem endereços,
Nem telefones,
Nem datas,
Sem localizadores...
Quero você quando der,
Se acontecer,
Sem posse, sem domínio,
Quero você tímido,
Ingênuo; só então menino,
Quero o homem que reside em ti,
Pronto pra crescer,
Ainda que nem dê tempo,
Pronto para amadurecer,
Só então te aceito tão cru,
Não vim pra te transformar,
Mas para aceitar o ainda inaceitável,
Por mais que seja tua,
Quero primeiro ser minha,
Como sempre fui, como me construí
Quero não me preocupar com meninices,
Quero não me aborrecer com teus tantos quereres,
Pouco justificáveis,
Ou avaliáveis,
Quero você de repente,
No calor do abraço,
Que evolui para o cio,
Que toma paixão por desejo,
Amor por tesão,
Cumplicidade por lealdade,
Quero que seja meu,
Na minha cama,
Enroscado nos mesmos lençóis,
Ao mesmo tempo,
Fora deles eu sou eu, você é você,
Não sou sua dona,
Nem sua mentora,
Nem sua genitora,
Também não és meu dono,
Nem meu deformador,
Nem minha cria,
Quero o homem mal crescido,
Malcriado,
O homem efervescente,
Virado do avesso,
Posto à mostra,
Mas só enquanto minhas mãos puderem te tocar,
Não me queira nas tuas retinas virtuais,
Me queira na tua fantasia mais indecente,
Te quero na margem da minha vida,
Podemos caminhar juntos,
Não construir estradas,
Nem muralhas, nem vivendas,
Te quero no matagal que ladeia a via,
Te quero na contra mão da minha história,
Quero gozar contigo o que os incertos temem,
Mas, quando levantar pela manhã,
Termos o direito de escolher outra direção,
Se quisermos
Até que nossos caminhos se cruzem novamente,
Te quero meu sigilo,
Meu segredo... tão necessário...
O segredo faz parte da pulsação do poeta,
Te quero menino, explorando a minha vivência,
Trocando, tocando, mexendo, bolinando,
Arrepiando, estremecendo,
Salivando, tremendo de desejo,
Suando, transpirando, levitando,
Criando, transformando compromisso em brincadeira,
Te quero leve, te quero solto,
Te quero meu...
Sem que ninguém saiba,
Sem que ninguém veja,
Sem que ninguém entenda,
Só nós...
Por quanto tempo durar,
O sonho... a magia... a malicia...
Vera Celms

Licença Creative Commons
A obra SONHO, MAGIA, MALICIA... de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 16 de setembro de 2012

BOCA A BOCA




Como não render-me?
Se traz nos olhos brilho de luares,
acumulados enquanto olhava o horizonte,
A procura de mim
Foram tantas noites
Vigilhas incansáveis,
enquanto observava os ponteiros do relógio,
a se atropelarem afoitos
Os contos que carrego valorosos,
sei, te faltam na bagagem
Sorriso doce, meigo, ingênuo
Olhar curioso de quem nunca viu
Avidez ofegante arrepiada
Transparece saliente indisfarçável
Boca sedenta nervosa
Mãos tão úmidas em roupas polvorosas
E o seu imantado desejo puxando o meu
Como não render-me?
Se diante de ti não sossego
Se meu olhar serio é confesso
Pupilas dilatadas delatoras
Salivante pronúncia muda...
Escapa sussurrante seu nome,
Escrevo-o interditado em íntimas folhas
Rabisco-o vã tentativa
Impossível negar corpo inquieto excitado
Rendo-me,
Fecho os olhos em teus braços
Beijo-te,
Boca a boca confessamos:
Enquanto nos beijamos, temos a mesma idade...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho BOCA A BOCA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 9 de setembro de 2012

ASAS COBERTAS




Atiço você, provoco você,
Porque sei que me quer,
Sinto o incontrolado palpitar da tua presença,
Imponho-te sei, a visão do meu desvario,
Porque sei que você me quer,
Deixo entreabertas as pernas
Como a porta de um esconderijo,
E o olhar parecendo perdido,
Como a minha pouca razão,
Impondo-te a minha proximidade,
Mas, só porque sei que você me quer
Cubro a saliência do teu desejo com a mão distraída...
E impunemente, o escondo na minha mão,
Quente, rijo, pulsante como antigamente
Incontrolado como teu pudor,
Me provando que você me quer,
Cubro tuas asas com meu corpo mudo,
Escondendo a tua condição,
Anjo impoluto, ímprobo,
Anjo improvável,
Demência implacável,
Anjo meu...
Porque sei que você me quer,
Se te impede minha distancia, afasta-a; é falsa...
Minha pouca atenção, esquece-a; é aparente,
Minha distração, lance-a longe; é proposital...
Se te impede minha calcinha; arranca-a,
Minha resistência; vence-a,
Meu pudor, relute; é improvável...
Se te impede que eu não te ame;  
peça e eu te seguirei, incondicionalmente...
Leve-me, possua-me, tenha-me, pois te amo... (se puder me amar)
Porque sei que você me quer,
tanto quanto eu te quero...
E por isso poderia viver a tua margem pela vida inteira,
ou somente aportada no teu coração...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho ASAS COBERTAS de Vera Celms foi licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 2 de setembro de 2012

VOLUME CRESCENTE




Gelada manhã de domingo
Agosto
Na neblina, a fumaça do escapamento
Aparece,
Indiferente ao teu segredo
A margem é tua,
A mim excita, ser a outra,
Aquela que visitas na madrugada
Escondido
Oculto
Imaginando ninguém ver
Antes mesmo do sol raiar
Corre fremente para o leito
Onde o primeiro raio de sol deve te encontrar
E o galo, gritando segredará
- ERA ELE LÁÁÁÁÁÁÁ...
Afinal, dela é o casco
O rótulo
O conteúdo,
O volume cresce na minha cama,
Sempre...

Vera Celms
Licença Creative Commons
O trabalho VOLUME CRESCENTE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.