terça-feira, 27 de dezembro de 2011

DESEJO TONTO

                                                                                      foto GOOGLE 
Sei que me deseja,
Sei que meu cio de chama,
Que meu tesão te arranha,
Penso tanto em você!
Loucura, desejo, alta tensão,
Meus olhos faíscam luminosos,
É indisfarçável,
Te imagino no espelho,
Roupas postas,
Passo o dedo vagaroso entre meus pelos,
Encontro a umides do caminho andado,
E, me ensinaram que era errado,
Cresci, floresci,
Te procurei a vida toda na estrada,
E hoje, te encontro no jardim. Fechada.
Não crescida como flor,
A flor sou eu, tu és tronco,
Pequeno, frágil,
Me pego tentando me agarrar a você,
Que pequena se enverga diante de mim
e some, desaparece...
Procuro, chamo...
Só vejo então uma sombra de longe,
Qual gás, indo... indo...
Nos meus dedos brilham ainda os vestígios do meu prazer,
Longe de você,
Em sonhos reconheço nas tuas mãos o meu cheiro,
Doce, lânguido e prostrado entre teus dedos,
Tontos pelos beijos que tanto busquei...

Vera Celms
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PASSADA DE MÃO

Uma boa mão,
Não tem idade,
Nem cor, nem beleza,
Importa é destreza,
Na mira certeira,
No toque safado,
No movimento gaiato,
Que não espere consentimento,
Nem aprovação,
Mas, que prove a intenção,
De sentir a intimidade em sua mão,
De sentir o formato,
Do corpo, da roupa de baixo,
Ou pra sentir a ausência,
Se por tesão cometer essa “demência”
Saber ler o desejo,
E aproveitar o ensejo,
Que seja rápido e fugaz,
Seguido de um olhar audaz,
Que tema pela reação,
Mas não por isso se isente da sensação,
E pra não perder a graça
Ela faz cara de quem desfaça,
E continua em passo lépido e faceiro,
Sem perder a cadência do traseiro,
Te pisque o olho disfarçado,
Pedindo teu toque safado...
Esteja disponível,
E bem mais do que sensível,
Ela certamente estará excitada,
Ainda que de forma disfarçada,
Pra que aproveite o momento,
Pra mostrar o talento,
Dessa mão muito safada...

Vera Celms
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domingo, 11 de dezembro de 2011

O AMOR E O DESEJO


De repente, no meio da madrugada
O desejo acorda o amor
Ofega, transpira, recorre excitado
O amor, sem muito entender
Disposto (o amor é mesmo assim)
Oferece o ouvido para um sussurro
Procura a boca molhada do desejo
Procura a excitação
Sentidos ainda confusos, ensonado
Tateia, busca,
Encosta todo o interesse avolumado
Oferece-se todo entregue
Largo, profundo, amplo
Sem reservas, sem pudores
E naquele momento,
Enroscam-se, enlaçam-se e embaraçam-se
Amor e desejo...
Loucamente
Até a saciedade...
E então adormecem
O desejo ainda em cima do amor
todo irrigado, nutrido
satisfeito e feliz...
Preparando o despertar...

Vera Celms

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domingo, 4 de dezembro de 2011

NÃO É ASSIM


Pousa teu olhar sobre meu colo
Alvo, macio e distante
É tudo que terá de mim
Enquanto você for só imagem
Sem calor, sem perfume, sem toque
Quero ver de você a essência,
Mostre, diante do monitor, sua alma
Conquiste minha vontade de mostrar-te mais
Conquiste o meu desejo por você
Não me cerques com volúpia
Nem com carentes confissões
Sempre que acuada, fugi
A passos largos ganhei distancia
E de mim não ficou lembrança
Não queira que te queira por tão pouco
Fantasias, faço-as sozinha
No lugar onde deixa as suas esquecidas ao acaso
Fabrico as minhas e distribuo
Não as regulo
Poderá ter meu corpo
Cada pedacinho excitado de mim
Volúpia, desejo, ardência e muita imaginação
Posso mostrar vãos, pensamentos libidinosos
Uma farta emoção, cheia de sensação
Desde que me ganhe,
Com talento e disposição,
Enquanto isso esperarei,
Pernas cruzadas,
Estrategicamente montadas,
Deixando-te curioso
Ávido e sozinho
Ainda não foi desta vez,
Não é assim que se conquista uma mulher...

Vera Celms
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