domingo, 6 de novembro de 2011

POR SOB AS VESTES

O mesmo olhar
Reconheceria em décadas
O mesmo cheiro
O mesmo ar de fruta fresca
De banho recém tomado
De brisa de manhã de primavera
Tudo nela me encantava
Tudo...
E aquele olhar,
Ah! aquele olhar,
Por sob o vestido,
O mesmo corpo inquieto e provocante
Parecia falar... vem!
Mamilos eriçados
Lábios umedecidos por uma língua louca
Que insistia em falar comigo
Era um som mudo
Quase um sussurrar
Que se oferecia pra me beijar
Fui ficando agitado, nervoso,
Não dava pra disfarçar
Queria aquela menina
Vestida hoje, num corpo de mulher
Cada traço esculpido pela sensualidade
Acumulada pelos anos todos
Queria aquela menina
Desde sempre... desde antigamente
Aqueles olhos, lançavam-me agora,
labaredas maduras,
As intenções eram claras
Caíram as amarras
Por sob o vestido
Um mundo de visões,
Imaginações
Alucinações,
Bolinações,
Por sob as minhas vestes
Um louco, alucinado, demente
Um animal encurralado, serpente
Um homem enfeitiçado, fremente...

Vera Celms

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O trabalho POR SOB AS VESTES de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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