domingo, 20 de novembro de 2011

DESINIBIDA


Na sala, comportadamente sentada,
Com pompa, a visita é brindada
Bebidas, tira-gostos,
Salgados, doces, espumantes
Procuro, não vejo
Inquieto-me...
Já devia ter chegado
De repente adentra a sala
Arrumado, perfumado, penteado
Galante, sedutor afamado,
A todos uma palavra,
Um cumprimento, um aperto de mão
Passou... só um olhar,
Demorado,
Mas, só um olhar
Um completo tour pela sala
E diante de mim para; sentado,
O olhar, em mim, ficou enroscado
Volta e meia, e meia volta
O olhar em mim pousado
Cruzo a perna então, e descruzo solapado,
E agora é o anfitrião que ficou interessado
Deixo-lhe a mostra o que não tinha esperado
Volto o dorso e deixo o corpo, bem apoiado
E bem no meio da cena, um sorriso vertical extasiado
Ficou o rapaz aflito e excitado
Me faço de distraída, deixo a luz do macho erguida
Volta e meia e meia volta
Mostro a ele estar decidida
Afinal, para enlouquecer um homem
É só ser desinibida...

Vera Celms

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O trabalho DESINIBIDA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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