domingo, 27 de novembro de 2011

O CÉU DAS FÊMEAS


Uma fêmea vem pela orla,
Tocando o chão, com a planta dos pés nua
Dos calcanhares as pontas,
Pela calçada quente
Leve e graciosamente
Uma fêmea espia
Espreita o mundo, na ponta dos pés
Sigilosa e sorrateira
Uma fêmea dança na ponta dos pés
Baila, rodopia
Suavemente
Levita, flutua
Guiada pela virilidade do abraço
Samba na ponta dos pés
Livre, solta, desprendida
Volita na madrugada insone
Pelo apartamento do céu, logo acima
Ouço o suave choro das portas,
perdido na quietude da madrugada
Sei que zanza... solta
Uma fêmea não se expõe
Deixa aparecer... uma renda
Deixa marcar,,, um elástico
Deixa escapar... um sussurro, em desabafo
Aposta o coração quando se apaixona,
Certa de que, o poderá perder...
Deixa presa a atenção de um homem
A ponto de, quase... o enlouquecer
Uma fêmea não resiste, dificulta
Não vai... aparece
Não chega... acontece
Uma fêmea é lembrada no rastro do perfume
No reverberar da voz
No movimento dos cabelos
das saias e das coxas,
inquietas,
Que ao acaso, permitem ver
... um pedaço do céu....

Vera Celms
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domingo, 20 de novembro de 2011

DESINIBIDA


Na sala, comportadamente sentada,
Com pompa, a visita é brindada
Bebidas, tira-gostos,
Salgados, doces, espumantes
Procuro, não vejo
Inquieto-me...
Já devia ter chegado
De repente adentra a sala
Arrumado, perfumado, penteado
Galante, sedutor afamado,
A todos uma palavra,
Um cumprimento, um aperto de mão
Passou... só um olhar,
Demorado,
Mas, só um olhar
Um completo tour pela sala
E diante de mim para; sentado,
O olhar, em mim, ficou enroscado
Volta e meia, e meia volta
O olhar em mim pousado
Cruzo a perna então, e descruzo solapado,
E agora é o anfitrião que ficou interessado
Deixo-lhe a mostra o que não tinha esperado
Volto o dorso e deixo o corpo, bem apoiado
E bem no meio da cena, um sorriso vertical extasiado
Ficou o rapaz aflito e excitado
Me faço de distraída, deixo a luz do macho erguida
Volta e meia e meia volta
Mostro a ele estar decidida
Afinal, para enlouquecer um homem
É só ser desinibida...

Vera Celms

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domingo, 13 de novembro de 2011

NUA E FELIZ

Pensar em você é viajar
Por sensações, por sonhos
Por fantasias
Lembrar de você é sentir sua mão
Invadindo meus pontos de fervura
Tremo, estremeço, levito de tesão
Só de lembrar...
Sua mão no vão das minhas coxas
Alisando, acariciando, tangenciando
O triz da minha calcinha...
Fazendo florescer a umidês, naturalmente
Respiração entrecortada, sudorese
Coração descompassado...
Procuro resistir,
E vou perdendo os movimentos
Me entregando aos momentos
Me entregando a excitação
Quanto mais resisto, mais quero sentir
Impossível, já não quero impedir
O pensamento se perde
E com ele me perco também
Excitada, molhada, sozinha e louca
Quero você,
Do pensamento ao sonho
Do sonho a viagem
Quero você, sua mão e seu vigor
Todo... roçando, forçando,
Insistente, persistente e voraz
Cochichando ao meu ouvido, loquaz
Indecências, me puxando pra si, por trás
Me deixando indefesa, imobilizada,
Nua e feliz...

Vera Celms

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domingo, 6 de novembro de 2011

POR SOB AS VESTES

O mesmo olhar
Reconheceria em décadas
O mesmo cheiro
O mesmo ar de fruta fresca
De banho recém tomado
De brisa de manhã de primavera
Tudo nela me encantava
Tudo...
E aquele olhar,
Ah! aquele olhar,
Por sob o vestido,
O mesmo corpo inquieto e provocante
Parecia falar... vem!
Mamilos eriçados
Lábios umedecidos por uma língua louca
Que insistia em falar comigo
Era um som mudo
Quase um sussurrar
Que se oferecia pra me beijar
Fui ficando agitado, nervoso,
Não dava pra disfarçar
Queria aquela menina
Vestida hoje, num corpo de mulher
Cada traço esculpido pela sensualidade
Acumulada pelos anos todos
Queria aquela menina
Desde sempre... desde antigamente
Aqueles olhos, lançavam-me agora,
labaredas maduras,
As intenções eram claras
Caíram as amarras
Por sob o vestido
Um mundo de visões,
Imaginações
Alucinações,
Bolinações,
Por sob as minhas vestes
Um louco, alucinado, demente
Um animal encurralado, serpente
Um homem enfeitiçado, fremente...

Vera Celms

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