domingo, 30 de outubro de 2011

SILENTE

Passo pela janela entreaberta
A penumbra do quarto me chama
Maliciosa...
Esvoaçante cortina provocativa
A lhe roçar casualmente o corpo
Sinto um perfume entreabrindo minha curiosidade
Vejo, na pouca luz,
Seu dorso, suas coxas,
Seu corpo, que seminu, repousa manso
Impune, inconsciente
Figura silente
Indolente, negligencia minha demência
Sequer imagina o risco iminente
Não consigo sair do lugar
Meu pensamento vai na frente
Excitado, arquitetando loucuras
Saltar por sobre este corpo
Prender-te, talvez machucar-te
Sem querer...
Todas as coisas que já fiz em sonhos
Silenciosa e sorrateiramente
Antevendo o sobressalto,
Cobrir-lhe a boca com a minha boca
Afagar teu peito nervoso,
Com minhas nervosas mãos
Cobrir teu corpo, com meu desespero
Afoito, aflito, afobado,
Não deixar espaço para qualquer reação
Deixando que ele te conte bem de perto
Do fervor do meu coração,
Da força do meu tesão,
Da minha pouca razão
Ao corpo, que impune, silente dorme...
Na maliciosa penumbra do quarto,
Que me chama pela entreaberta janela
de esvoaçante, provocante cortina...
que te toca... tão bela...

Vera Celms

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O trabalho SILENTE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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