domingo, 30 de outubro de 2011

SILENTE

Passo pela janela entreaberta
A penumbra do quarto me chama
Maliciosa...
Esvoaçante cortina provocativa
A lhe roçar casualmente o corpo
Sinto um perfume entreabrindo minha curiosidade
Vejo, na pouca luz,
Seu dorso, suas coxas,
Seu corpo, que seminu, repousa manso
Impune, inconsciente
Figura silente
Indolente, negligencia minha demência
Sequer imagina o risco iminente
Não consigo sair do lugar
Meu pensamento vai na frente
Excitado, arquitetando loucuras
Saltar por sobre este corpo
Prender-te, talvez machucar-te
Sem querer...
Todas as coisas que já fiz em sonhos
Silenciosa e sorrateiramente
Antevendo o sobressalto,
Cobrir-lhe a boca com a minha boca
Afagar teu peito nervoso,
Com minhas nervosas mãos
Cobrir teu corpo, com meu desespero
Afoito, aflito, afobado,
Não deixar espaço para qualquer reação
Deixando que ele te conte bem de perto
Do fervor do meu coração,
Da força do meu tesão,
Da minha pouca razão
Ao corpo, que impune, silente dorme...
Na maliciosa penumbra do quarto,
Que me chama pela entreaberta janela
de esvoaçante, provocante cortina...
que te toca... tão bela...

Vera Celms

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O trabalho SILENTE de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 23 de outubro de 2011

FETICHEIRA


Enlouqueço...
Olhando teus pés: duas nuvens a me pisotear
São como pés de anjos
São fleumas a me ignorar
Sandálias rubras, tiras e saltos finos
Meias de seda com costuras marcadas, pele bronzeada,
Pelo mesmo sol que ao seu corpo, deu pequenas marcas
Finas e sutis
Ao meu desejo, provocantes, mas hostis
Rondam, circundam, sem tocar...
Provando, arrebatando
Diverte-se com a minha inquietude
Lindos pés... unhas coloradas
Como pétalas moldadas
Feminino pesinho...
Requebrando as ancas no meu caminho
Pernas cruzadas, saias justas fendadas
Madeixas libertadas
Como pássaros, como peixes,
Como algozes, como bichos ferozes
Como feras domadas por chicotes
Como policiais, como enfermeiras em hospitais,
Como fantasias infantis e babás
Como laços de fitas a te adornar
Como rendas negras transparentes
Lycras vermelhas em minhas lentes,
a passar, observando bailarinas a dançar,
com pesinhos tão pequenos, fazendo-me arfar,
Como as suas duas pequenas nuvens a me pisotear...

Vera Celms

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O trabalho FETICHEIRA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 16 de outubro de 2011

MINHA CALCINHA (pagina 44 de BRIGIT - A BRUXA DA NOITE)



Nem sei se meu corpo te atiça,
Te atiça minha voz...
Te atiça meu cio constante,
Os duendes do meu desejo,
As fadas dos meus sonhos mais secretos,
Os movimentos do meu prazer,
Te atiça, minha calcinha...
Escudo do teu rijo pensamento,
Miragem da tua safada intenção,
Explorando, roçando...
Teu louco desejo apontando o meu, bem de perto...
Como quem acorda alguém, que simplesmente se finge dormente,
Insistente, perseguindo o ponto certo,
Atritando...
Teu ardor, a lamber minha calcinha já úmida...
Teu tesão, alimentando o meu...
Meu tesão quase escondido, procurando teu inflexível querer...
Minhas mãos inquietas, já tentam conter a inquietude do teu cio já selvagem...
Ainda assim, indomável tenta romper minha calcinha...
Agito meu corpo, imobilizado pelo teu abraço viril... pernas abertas...
E tua mão, cúmplice do doce desvario,
liberta meu fogo num só puxão...
E sinto teu membro, contato vivo, quente, louco...
Regado pelo meu tesão...
Louco roçar, alcançando e lambendo meu sexo todo...
Posso ouvir o som do nosso desejo,
Barulho molhado e o cheiro do cio espalhado no ar...
Num ato de quase loucura, irresistível demência,
Você rompe minha calcinha, deixando-a no chão, assistindo a tudo...
Enlouquecida te dou as costas,
E te oferecendo meu prazer completo,
Sinto tua invasão... me abro inteira...
Te abro as pernas, te permito explorar meu desconhecido desejo,
Já completamente cega, completamente desconexa,
Sinto tua mão deslizar meu vão completo...
Teu dedo safado já me explica o indizível...
Por um momento, temendo o já inevitável,
Sinto tua língua provocando meu desespero,
Misto de prazer, desejo e medo...
Me vejo quase desfalecendo,
Tento fugir, e novamente sinto o vigor do teu braço,
E antes de ao menos um suspiro,
Ecoa no ar um grito e te sinto todo... dentro de mim, já como um animal encurralado... bravio...
Imobilizada pela dor e pelo desvairado toque deslizante dos teus dedos,
Sinto-te derramar em mim, o mais profundo suspiro do teu, no meu prazer...
Nossos corpos colados... suados e extasiados...
Esperando que por um momento, o mundo se acabe ou se apague, ou se imobilize, para assistir o gozo da mais louca paixão...
Teus lábios nas minhas costas, no meu pescoço...
Teus braços ainda me enlaçando,
Agora na mais doce carícia, vão aos poucos me devolvendo o ar, o chão...
Os sentidos todos, que antes dormiam,
Voltam a pulsar ainda com força dentro da tua boca...
E eu, sorvida pela tua língua entendo, que a eternidade ainda será breve demais para nós dois...

Vera Celms

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O trabalho MINHA CALCINHA de Vera Celms foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 9 de outubro de 2011

SOBRE ZÍPERES, BOTÕES E PRETENSÕES

Entre o desejo e a mão
Vem a intenção
Acompanhada de imagens
Pensadas, idealizadas, sonhadas,
Cheia de planos,
Traçando estratégias
Criando, imaginando
Cenários, efeitos, respostas
Sequências e conseqüências
Texturas, sabores, olores,
Entre a intenção e o gesto
Vem a mão,
Nervosa, ansiosa, aflita
Capaz de desvendar os mistérios do mundo
Confiante, segura, ousada
Capaz de demover obstáculos
Entre a mão e o gesto
Vem o mundo todo
Zíperes, botões, fechos
Laços, lycras, rendas, apetrechos
Peças não descartáveis
Do jogo de sedução,
Cada uma a seu tempo,
Não retiradas, mas convencidas
Afastadas, abertas, esticadas,
Encolhidas, conquistadas, demovidas
Puxa-se, empurra-se, pressiona-se,
Faz-se subir, descer, apartar,
Peças de um jogo divertido
Tabuleiro conhecido
Peças irresistíveis e seus efeitos sonoros
Movimentos não pensados,
Regras não inventadas,
Sem convenções, nem adivinhações,
Provas incontestáveis e proximas
Que presentes assistem a tudo
Do embate a comemoração,
De que no jogo da sedução não há vitoria isolada...

Vera Celms

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A obra SOBRE ZÍPERES, BOTÕES E PRETENSÕES de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 2 de outubro de 2011

ASSEDIADA


Há quanto tempo te observo menina,
Há quanto tempo te espero passar,
Tanto que meu corpo já te pressente,
E minha ereção me delata,
Tento disfarçar
E mais uma vez você passa...
Me golpeando com seu perfume,
Teu andar, tua cadência,
Teu corpo a bailar,
Observo teu passo retesado a rebolar nos meus olhos
E os movimentos do teu caminho a te denunciar
Já não consigo mais adiar
E vou segui-la de perto
Até quem sabe a um lugar de pouca luz,
E te pedirei um beijo,
Só um beijo...
E quando estiver em meus braços,
E seus lábios sorvidos pelos meus,
Escorregarei minha mão até o meio das suas pernas,
E só então saberei se meu sonho é de verdade,
Sentindo seus pelos,
Seu vãozinho molhado por sobre a seda do vestido,
Na minha mão...
E, ainda que me interrompa um tapa,
Terá valido a pena,
Pois estarei levitando de tesão...

Vera Celms
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A obra ASSEDIADA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.