domingo, 6 de fevereiro de 2011

LOTAÇÃO SAÚDE





Em São Paulo, pra quem não conhece, existem micro-ônibus, chamados de lotação, diferente das peruínhas de antigamente.

Em determinados percursos entre bairros, são usadas com muita freqüência. Percursos mais longos ou com maior número de usuários ainda são servidos pelos habituais ônibus.

Foi numa manhã de verão, de roupas finas e leves, que Eva entrou num desses lotações, para chegar ao Metrô Saúde.

No lotação já haviam algumas pessoas em pé quando Eva subiu com sua amiga Maria. Conversavam animadamente que nem notaram bem quando o lotação começou a encher.

Nos próximos pontos foi entrando mais gente, mais gente, empurrando-as para perto dos bancos, ou mais pra perto de outras pessoas.

Estavam entretidas entre si, enquanto entrava cada vez mais gente. De repente, Eva notou que estava bastante próxima de um rapaz, que segurava-se com a duas mãos no alto, nos ferros presos ao teto.

Homem interessante, de braços fortes, tronco largo, pele clara e cabelos castanho escuros.

Eva tinha sua bolsa em um dos ombros e no braço carregava seus livros de Faculdade. Mal segurava-se com uma das mãos acompanhando o balanço do lotação. Vez ou outra esbarrava no rapaz, se desculpando a cada vez.

Frente a frente com ele, muito perto, não demorou a perceber o que estava provocando àquela figura.

Enquanto conversava, disfarçadamente, baixou os olhos e pode constatar o volume, a extensão do interesse que estava provocando.

Naquele momento, começou a sentir o contato firme, e sentiu seu corpo reagir. Sentiu que seu sexo era tocado sutilmente pelo sexo dele e fingindo distração, deixou até sentir que seu corpo começou a “esquentar”.

Continuou conversando com Maria, mas sua atenção já estava menos focada.

Num determinado momento, sentiu o sexo dele já raspar o seu, detidamente, de uma forma mais demorada e de certa forma, provocante. O balanço do lotação parecia favorecer. Fingia não notar, mas não conseguia se afastar.

Seu sexo já ardia, sentia um brilho diferente em torno da visão. Estava literalmente excitada, muito excitada. Temia que fosse visível. Temia que Maria ou os demais passageiros notassem, mas não conseguia desviar-se da situação.

Sabia que aquilo não podia ir muito além, pois em breve aquela brincadeira deixaria marcas na roupa dele, e uma ejaculação ali, seria difícil disfarçar.

Permitiu-se prolongar aquele momento. Ela mesmo não estava mais conseguindo conversar naturalmente, queria focar sua atenção integralmente naquele momento, mas não podia.

O percurso normalmente durava em torno de 20 minutos, mas naquele dia em especial, parecia durar uma eternidade. Eva torcia que durasse muito mais.

O ponto em que ela havia de descer do lotação logo se aproximava e ela já estava pensando no momento em que teria de passar a roleta.

Moveu-se para o lado, já anunciando o próximo movimento e colocou a mão nas costas de Maria, para que ela passasse a roleta na sua frente pronunciando o corpo na mesma direção.

Ele notou sua menção e aproximou-se dela um pouco mais, lentamente, deixando seu corpo colado ao dela.

O volume de sua excitação era indisfarçável, podia-se notar pela camisa que caía por cima, o que deixava Eva mais excitada ainda.

Logo haviam mudado de posição, e começavam a se encaminhar para a roleta.

Sua saia ballonée, de fino tecido preto, já estava certamente um pouco amassada, mas era irresistível. Um passo de Eva, um passo de seu companheiro de percurso.

Chegaram a roleta e tiveram tempo de permanecer um pouco ainda encostados um no outro. O mesmo volume que sentiu roçar seu sexo durante o percurso, sentia agora atrás de si. Era enlouquecedor.

Finalmente se aproximava o lugar onde Eva saltaria do lotação. De repente, quando ela insinuou o corpo para tocar o botão do alarme de parada do lotação, sentiu um braço passar por sobre seu ombro, antecipando o gesto e então pode sentir o corpo todo do rapaz por sobre o seu.

O peito dele descansou em suas costas durante alguns momentos e chegou a sentir as pernas dele tocarem as suas por trás de seu corpo. Aquele gesto foi decisivo. Incontrolavelmente, sentiu uma sensação deliciosa; sentiu um estremecimento, um êxtase, um gozo quente e ensurdecedor. Deliciosamente tomada por inteiro.

Por alguns instantes, o mundo em torno de si, simplesmente sumiu. Nada ouviu, nada viu, não falou, mas sentiu o mundo todo concentrado no vão de suas pernas, que pareciam não ter mais controle.

Chegou o ponto, e Eva saltou sem olhar para trás, caminhou por alguns metros, instintivamente, acompanhando Maria, sem noção de tempo ou espaço, torcendo para voltar a encontrá-lo amanhã novamente no mesmo horário e local.

Vera Celms


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