domingo, 27 de fevereiro de 2011

VERDINHO


Dias complicados,
Mundo incoerente,
Corações machucados
Razão inconseqüente,

Quem com o errado não ficou,
Talvez tentando acertar
E decepcionada não acordou
Do sonho em estranho lugar

Sonhava estar no paraíso
E catava papel na ventania
Afogada, afogueada perguntei: o que é isso?
E num disco voador, perdida; aparecia

Estranha sensação de não saber
Se devia correr ou ficar
Se devia relaxar e beber
Ou se devia beber para agüentar

Muita coisa estranha já vi
Amor, me bastava ver-te
Procurava tubarão e encontrei siri
Mas nunca tinha visto aquilo verde

Procurava forte emoção
Queria ouvir os clarins do amor
Mas senti uma estranha sensação
Do tesão um imenso calor

Queria um Lord apaixonado
Um homem fino e bem intencionado
Mas encontrei um gostoso safado
Com uma forte pegada e excitado

Procuro um armário preto de oito portas
Mas encontro criado-mudos brancos de gavetinhas
Mas eu não me importo se tu não te importas
Aproveito então pra tirar umas casquinhas

Afinal atração física é tesão
Que vem lá de baixo e não do coração
É como se o batimento mudasse de direção
E nos deixasse até sem respiração

Mas afinal não vou desistir
Pois tesão com amor é bem mais forte
Então com o destino vou insistir
Quem sabe depois do verdinho dou sorte

Vera Celms

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A obra VERDINHO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

MIL FÊMEAS

Sua pele tem a cor da sedução,

A temperatura exata,

O cheiro capaz de eriçar a minha,

O toque da pelagem do lobo,

Sempre pronto

Excitado, fogoso, farto,

Deleito-me no seu colo,

Nos seus braços,

No seu peito,

Sonhando, estando ou não dormente,

Deixo-me dominar pelo seu contato

Firme, posto, seguro,

Malicioso, ousado, decidido,

Um beijo,

Um cheiro,

Um toque do seu corpo no meu,

E me entrego toda,

a postura do macho viril,

Que toma sua fêmea sem concessões,

Sem espaço, sem vacilo,

Mil mãos,

Doma minhas pernas com as suas,

Imobiliza meu corpo quase trêmulo de tesão,

Mal respiro tomada pela sua boca,

Ofego no seu ritmo,

E me descubro mil fêmeas ao seu dispor,

Totalmente rendida aos seus desejos

Entregue em puro delírio,

Em êxtase,

Quase desfalecendo no gozo, infinita,

Sua... sempre sua...


Vera Celms

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

SONHANDO SÓ



Prometes dizer

Palavras sussurradas

Aos meus ouvidos

E levas tua boca embora

Tão longe

Teu cio, posso sentir

Teu corpo excitado, inquieto,

em sonhos me atiça,

Tuas mãos cheias de ousadia,

tens contigo,

longe, mas não menos safadas

Queria-te tão perto,

com toda essa inquietude,

com toda essa imaginação fervente,

com essa safadeza latente,

Me deves toda essa libidinagem

Tão minha,

Teimas em espiar de longe

Farejas sem tocar

Latejas sem dispor

Se é verdade que tanto quer,

Vai ter de se aproximar,

Vai ter de vir me buscar,

E me tocar,

E explorar a loba, a fêmea,

A Leoa aflorada,

E descobrir o gosto, o toque,

A maciez da pele,

O perfume da pelagem,

A temperatura,

O ponto de fervura,

Sonhar sozinho,

Com quem sonha só,

É só sonhar

Vera Celms


Licença Creative Commons
A obra SONHANDO SÓ de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

LOTAÇÃO SAÚDE





Em São Paulo, pra quem não conhece, existem micro-ônibus, chamados de lotação, diferente das peruínhas de antigamente.

Em determinados percursos entre bairros, são usadas com muita freqüência. Percursos mais longos ou com maior número de usuários ainda são servidos pelos habituais ônibus.

Foi numa manhã de verão, de roupas finas e leves, que Eva entrou num desses lotações, para chegar ao Metrô Saúde.

No lotação já haviam algumas pessoas em pé quando Eva subiu com sua amiga Maria. Conversavam animadamente que nem notaram bem quando o lotação começou a encher.

Nos próximos pontos foi entrando mais gente, mais gente, empurrando-as para perto dos bancos, ou mais pra perto de outras pessoas.

Estavam entretidas entre si, enquanto entrava cada vez mais gente. De repente, Eva notou que estava bastante próxima de um rapaz, que segurava-se com a duas mãos no alto, nos ferros presos ao teto.

Homem interessante, de braços fortes, tronco largo, pele clara e cabelos castanho escuros.

Eva tinha sua bolsa em um dos ombros e no braço carregava seus livros de Faculdade. Mal segurava-se com uma das mãos acompanhando o balanço do lotação. Vez ou outra esbarrava no rapaz, se desculpando a cada vez.

Frente a frente com ele, muito perto, não demorou a perceber o que estava provocando àquela figura.

Enquanto conversava, disfarçadamente, baixou os olhos e pode constatar o volume, a extensão do interesse que estava provocando.

Naquele momento, começou a sentir o contato firme, e sentiu seu corpo reagir. Sentiu que seu sexo era tocado sutilmente pelo sexo dele e fingindo distração, deixou até sentir que seu corpo começou a “esquentar”.

Continuou conversando com Maria, mas sua atenção já estava menos focada.

Num determinado momento, sentiu o sexo dele já raspar o seu, detidamente, de uma forma mais demorada e de certa forma, provocante. O balanço do lotação parecia favorecer. Fingia não notar, mas não conseguia se afastar.

Seu sexo já ardia, sentia um brilho diferente em torno da visão. Estava literalmente excitada, muito excitada. Temia que fosse visível. Temia que Maria ou os demais passageiros notassem, mas não conseguia desviar-se da situação.

Sabia que aquilo não podia ir muito além, pois em breve aquela brincadeira deixaria marcas na roupa dele, e uma ejaculação ali, seria difícil disfarçar.

Permitiu-se prolongar aquele momento. Ela mesmo não estava mais conseguindo conversar naturalmente, queria focar sua atenção integralmente naquele momento, mas não podia.

O percurso normalmente durava em torno de 20 minutos, mas naquele dia em especial, parecia durar uma eternidade. Eva torcia que durasse muito mais.

O ponto em que ela havia de descer do lotação logo se aproximava e ela já estava pensando no momento em que teria de passar a roleta.

Moveu-se para o lado, já anunciando o próximo movimento e colocou a mão nas costas de Maria, para que ela passasse a roleta na sua frente pronunciando o corpo na mesma direção.

Ele notou sua menção e aproximou-se dela um pouco mais, lentamente, deixando seu corpo colado ao dela.

O volume de sua excitação era indisfarçável, podia-se notar pela camisa que caía por cima, o que deixava Eva mais excitada ainda.

Logo haviam mudado de posição, e começavam a se encaminhar para a roleta.

Sua saia ballonée, de fino tecido preto, já estava certamente um pouco amassada, mas era irresistível. Um passo de Eva, um passo de seu companheiro de percurso.

Chegaram a roleta e tiveram tempo de permanecer um pouco ainda encostados um no outro. O mesmo volume que sentiu roçar seu sexo durante o percurso, sentia agora atrás de si. Era enlouquecedor.

Finalmente se aproximava o lugar onde Eva saltaria do lotação. De repente, quando ela insinuou o corpo para tocar o botão do alarme de parada do lotação, sentiu um braço passar por sobre seu ombro, antecipando o gesto e então pode sentir o corpo todo do rapaz por sobre o seu.

O peito dele descansou em suas costas durante alguns momentos e chegou a sentir as pernas dele tocarem as suas por trás de seu corpo. Aquele gesto foi decisivo. Incontrolavelmente, sentiu uma sensação deliciosa; sentiu um estremecimento, um êxtase, um gozo quente e ensurdecedor. Deliciosamente tomada por inteiro.

Por alguns instantes, o mundo em torno de si, simplesmente sumiu. Nada ouviu, nada viu, não falou, mas sentiu o mundo todo concentrado no vão de suas pernas, que pareciam não ter mais controle.

Chegou o ponto, e Eva saltou sem olhar para trás, caminhou por alguns metros, instintivamente, acompanhando Maria, sem noção de tempo ou espaço, torcendo para voltar a encontrá-lo amanhã novamente no mesmo horário e local.

Vera Celms


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A obra LOTAÇÃO SAÚDE de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.