domingo, 2 de janeiro de 2011

PELE MORENA SOB CUECA BRANCA


Fragil branco tecido,

que adere a pele, a forma,

Transparência casual,

Expõe o tamanho

Da imaginação,

Da disposição,

Da libido,

Que mal contem a si mesma,

Fino tecido,

Que esconde o fruto do desejo,

Que demonstra o volume,

A anatomia úmida,

Transformada e deformada,

Inquieta e provocante,

Doce e pétrea excitação,

Que por involuntária

É incontrolável,

É irresistível,

Indisfarçável,

Contato alucinante,

Impossível permanecer impassível,

Ao gesto, a insinuação,

Toque inevitável,

Um esbarrão,

E o corpo todo estremece,

A audição ensurdece,

A pele enrubesce,

E é impossível não ceder,

A volúpia, a lascívia,

Ao sonho, a viagem,

O chão por um instante some,

Levitar é tão natural,

E a mão que em principio se recusa a tocar,

Não quer mais soltar,

Um reino por um enredo,

Por uma encoxada,

Por um encaixe distraído,

Por um roçar insistente,

Um cutucar,

Uma entrada triunfal,

Por um não resistir, não desistir,

Por não sair,

Por não parar,

Um momento eterno,

Nascido da visão casual,

De um corpo másculo

Coberto pelo frágil, fino

Aderente tecido

De uma cueca branca

Por sobre a pele morena,

Arrepiada e quente,

Suada,

Transpirada de imaginação,

De desejo, volúpia e tesão...


Vera Celms


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A obra PELE MORENA SOB CUECA BRANCA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

2 comentários:

  1. A pele alva, no tecido branco, transparente, muito excitante. Quase mais desejável que a nudez final, serve de preambulo para a visão que descobrirá depois! Excelente poema! Parabens. Bjo

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  2. Obrigada, querido amigo... que seja preâmbulo para a cena real... mas é irresistível, aos olhos e a sensibilidade de uma mulher... beijo... volte sempre, volte mais..

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