domingo, 30 de janeiro de 2011

LUA, ESTRELAS, MAR


Tanto quis, amar-te mais uma vez

Sem culpas e sem testemunhas

Escolhi a noite cenário

E o silencio como trilha

Ajoelhei todo o pudor à beira

E deitado corpo ofereci

Aberta, a todas as sensações

Todos os sensores expostos

O desejo ali, mais atiçou,

A memória, o gosto, a libido,

Mãos e pernas entrelaçados,

Imaginação e olhos estrelados,

Lábios e segredos colados,

Pelos e suores misturados,

Confundidos em todos os atos,

Sedentos dois corpos suados

Consciência pouca, loucura é fato

Meu espasmo tenso é dado

No seu tato a minha umidês

Entregue, nua e só,

Mansa, puxo sobre minha nudez

o manto luminoso enluarado,

e nas estrelas e meus pudores,

escondo meu desejo frustrado,

pelo seu medo em ter me amado,

e eu, que tanto quis,

amar-te mais uma vez,

adormeço sozinha, nua sob o luar...

ouvindo silenciosa o sussurro do mar...

Vera Celms


Licença Creative Commons
A obra LUA, ESTRELAS, MAR de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 23 de janeiro de 2011

PROFUNDO AZUL DOS OLHOS MEUS



prometo olhar bem no fundo dos seus...

para você poder penetrar

no profundo azul dos meus olhos,

e viajar, mansa e completamente,

navegar, flutuar,

conhecer minhas verdades,

minhas sensações,

meus sentimentos,

minhas ilusões, ou sonhos,

prometo olhar bem no fundo dos seus...

e no azul dos meus olhos,

você vai descobrir,

parte anjo, parte demônio, de mim

minhas lisuras e indecências

minhas razões, e demências,

meus fracos e minhas essências,

mais puras, mais nuas,

mais singulares,

prometo olhar bem no fundo dos seus,

para no azul dos meus olhos encontrar

o lago que disse ter visto,

e conhecer a profundidade,

a mansidão, ou a devastação,

a pureza ou a devassidão,

dos meus pensamentos mais secretos,

olhe bem,

mas aperte os cintos,

pois a viagem vai começar...

Vera Celms


Licença Creative Commons
A obra PROFUNDO AZUL DOS OLHOS MEUS de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 9 de janeiro de 2011

SONHO DE NÃO VOLTAR

quero inflar todos os seus sentidos

deixar seus nervos todos expostos

arrancar choques com fios descascados,

todos os seus fios desencaparam

perdeu o controle,

perdeu a noção da hora,

o vinco, a responsabilidade, o pudor,

desalinhou o cabelo,

meu baton já mora no seu colarinho,

seu pescoço avermelhado,

seus braços aflitos,

procuram a tudo alcançar

mais longe, mais fundo,

suas pernas escalam meus caminhos,

minhas alturas,

de prazer, de imaginação, de desejo,

corpos trêmulos e incontroláveis,

bocas que se desbravam,

loucas, insanas, devassas,

improbas, insaciáveis,

prazer enlouquecido,

entrega incondicional,

quero afinal, inflar todos os nossos sentidos

deixar os nossos nervos todos expostos

e sonhar,

sonhar como jamais ninguém sonhou,

um sonho de não voltar...


Vera Celms


Licença Creative Commons
A obra SONHO DE NÃO VOLTAR de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 2 de janeiro de 2011

PELE MORENA SOB CUECA BRANCA


Fragil branco tecido,

que adere a pele, a forma,

Transparência casual,

Expõe o tamanho

Da imaginação,

Da disposição,

Da libido,

Que mal contem a si mesma,

Fino tecido,

Que esconde o fruto do desejo,

Que demonstra o volume,

A anatomia úmida,

Transformada e deformada,

Inquieta e provocante,

Doce e pétrea excitação,

Que por involuntária

É incontrolável,

É irresistível,

Indisfarçável,

Contato alucinante,

Impossível permanecer impassível,

Ao gesto, a insinuação,

Toque inevitável,

Um esbarrão,

E o corpo todo estremece,

A audição ensurdece,

A pele enrubesce,

E é impossível não ceder,

A volúpia, a lascívia,

Ao sonho, a viagem,

O chão por um instante some,

Levitar é tão natural,

E a mão que em principio se recusa a tocar,

Não quer mais soltar,

Um reino por um enredo,

Por uma encoxada,

Por um encaixe distraído,

Por um roçar insistente,

Um cutucar,

Uma entrada triunfal,

Por um não resistir, não desistir,

Por não sair,

Por não parar,

Um momento eterno,

Nascido da visão casual,

De um corpo másculo

Coberto pelo frágil, fino

Aderente tecido

De uma cueca branca

Por sobre a pele morena,

Arrepiada e quente,

Suada,

Transpirada de imaginação,

De desejo, volúpia e tesão...


Vera Celms


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A obra PELE MORENA SOB CUECA BRANCA de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.