domingo, 19 de dezembro de 2010

LOBO NO CIO


Gosto do prazer solitário

Que sem um toque se faz presente,

Gosto de provocar a imaginação,

De trazer aos seus pensamentos,

Imagens, gostos, desejos,

Quero estar nos seus sonhos,

Em todas as posições

que a sua libido quiser,

Quero fazer coisas

Que o seu consciente nunca viu

Que o seu inconsciente esconde

Que a sua liberdade de voar procura

Quero que veja, que olhe, sem piscar,

que sinta, escondido do menino,

Com o homem todo, aflorado

Meus movimentos,

Minha respiração, meu ofegar,

Quero que leia, nos movimentos

dos meus lábios, inquietos, sedentos,

do meu pescoço, tenso, teso,

No brilho dos meus olhos,

No bailar selvagem dos meus cabelos,

entre meus dedos,

Nas minhas mãos, aflitas,

Percorrendo meu pescoço,

Meu colo,

Meus braços, meus ombros,

Sutilmente, juntando meus seios,

Quero que veja o movimento da minha cabeça,

Procurando disfarçar o já evidente,

Quero que reconheça cada gesto safado,

Cada intenção guardada,

Quero que me queira,

Como jamais quis alguém...

Um instante distraído,

Que talvez jamais aconteça,

Mas que sempre procurará por ele...

Na madrugada insone, solitária,

Posso ouvir seu uivo,

Buscando meu cio,

Na noite, na distância,

Na incerteza de poder tê-lo,

Mas na ânsia de jamais acordar do sonho,

Meu Menino Lobo...


Vera Celms


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A obra LOBO NO CIO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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