domingo, 5 de setembro de 2010

PEDAÇOS DO MESMO TODO


Já é tão dificil,

Esconder, ocultar, relevar,

O que chamam de desejo,

Chamo eu de tesão,

Algo que vem lá do fundo,

Das entranhas,

Começando com um frio regelar do estômago,

Percorrendo o corpo todo,

Atiçando a sola dos meus pés,

Que terminam suados e gelados,

Como as mãos,

Como o fino fio que escorre pela coluna,

Que toma conta de mim,

E me faz farejar teu cio

Tua lembrança me é nervosa,

A saudade de você me faz dengosa,

Quero te encontrar,

Quero te abraçar,

Me roçar em você,

Provocar arrepios e sensações diversas,

Quero te deixar excitado,

Seriamente embaraçado,

Molhado,

Disposto a perder as estribeiras,

O juízo, as amarras,

As roupas todas,

Os horários e compromissos,

Enlaçado,

Pelos e pele; enroscado

Muito junto,

Em sincronia e dessincronia, constantes

Em gemidos mutantes,

Escorregadia no seu abraço suado,

Antes e depois,

Durante e muito mais,

Como loucos, como animais,

Como pedaços do mesmo todo,

Prostrados e afinal dormentes,

Amortecidos de tanto tesão...

Vera Celms


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