segunda-feira, 27 de setembro de 2010

TEU GOSTO

Permanece guardado em ti,

O segredo que ao tempo confiei,

trazido de tempos felizes

de quando, com você, aprendi a levitar

Poderia reconhecer,

Em sonhos,

No escuro que fosse,

Enevoado pela distância

Por imperceptível que fosse

Aos olhos, aos ouvidos,

a cada um dos sentidos,

Mantem o mesmo gosto, o beijo teu

o mesmo calor,

a mesma intensidade,

O mesmo toque doce, morno,

manso, arrebatador,

vigoroso e enlouquecedor

que se espalha agora,

por todo o corpo

Contagiando cada espaço de mim

Que se abre, se umedece, e enrijece

Se entrega e estremece,

Encharcado, ardente e latejante,

Inflado e inflamado,

Suplicante e suplicado

Agarrada, ao mastro explorado,

Embriagada pelo teu gosto,

Espalhado pelo meu rosto

Explorando nossos corpos

Avolumando tanto mais o desejo

Já beirando a demência

Sem clemência,

Com insistência,

Pedindo pra enlouquecer

Pra se perder,

E vejo afinal a erupção do prazer,

Vinda desse santuário que me é teu corpo,

Nas minhas mãos a arder

Se entregando todo,

Até esmorecer,

Lânguido, sorridente e repleto

Com as estrelas dos olhos teus,

Fitando as estrelas dos olhos meus,

E, sem parar de me beijar,

Pedimos mais...

Vera Celms

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

LOGO MENOS


Chegando o dia,

Conto os minutos,

Os instantes,

Quantos sejam,

Preparo meu corpo,

Sonhando,

Sentindo a excitação,

Lembro do seu corpo

E o meu se acende,

Queima, arde molhado,

Ofereço minha imaginação,

Enquanto tua mão não pode me alcançar,

Toco meu desejo aceso,

Como se fosse com a sua mão,

Já posso ouvir sua voz

Pedindo: me aceita,

E me abro inteira,

E te aceito todo,

Sussurrante,

Tomando meu corpo,

Meu macho dominante,

Meu homem, desde sempre,

Meu corpo é rijo,

Enquanto aguarda a sua rigidez

Nervosa, inquieta, ansiosa,

Já sinto seu cheiro nos meus sonhos,

Seu gosto nos meus despertares,

E o seu desejo apontando o meu,

Bem de perto,

Cutucando, provocando, atiçando,

E eu, molhada permitindo,

Só pra ver sua roupa avolumada,

Enquanto busca com seus olhos,

Meu olhar, implorando,

Seu amor, de novo,

Sempre,

Meu...

beijando sua boca com ardência...

Vera Celms

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

CANSEI

Tanto te quis,

Nunca te neguei um beijo,

Nem o meu desejo,

Tanto te procurei,

Me feria o teu desprezo,

Me ignorava,

Enquanto o teu amor eu implorava,

Olhares, vigília,

Dia e noite,

Postada no teu caminho,

Entregue aos sonhos,

Teu corpo me atiçava,

Estremecia quando passava,

Arrepiava de tesão,

E continha com a mão,

Me entregava pela imaginação,

Todos que conheci tinham teu nome,

Todos os beijos tinham teu gosto,

Todos tinham o mesmo cheiro teu,

Tanto te quis,

Pra me quereres, tanto fiz,

E agora que me queres,

Tão desejoso,

De tanto que te escondeu,

Agora quem não te quer mais, sou eu...

Vera Celms

domingo, 5 de setembro de 2010

PEDAÇOS DO MESMO TODO


Já é tão dificil,

Esconder, ocultar, relevar,

O que chamam de desejo,

Chamo eu de tesão,

Algo que vem lá do fundo,

Das entranhas,

Começando com um frio regelar do estômago,

Percorrendo o corpo todo,

Atiçando a sola dos meus pés,

Que terminam suados e gelados,

Como as mãos,

Como o fino fio que escorre pela coluna,

Que toma conta de mim,

E me faz farejar teu cio

Tua lembrança me é nervosa,

A saudade de você me faz dengosa,

Quero te encontrar,

Quero te abraçar,

Me roçar em você,

Provocar arrepios e sensações diversas,

Quero te deixar excitado,

Seriamente embaraçado,

Molhado,

Disposto a perder as estribeiras,

O juízo, as amarras,

As roupas todas,

Os horários e compromissos,

Enlaçado,

Pelos e pele; enroscado

Muito junto,

Em sincronia e dessincronia, constantes

Em gemidos mutantes,

Escorregadia no seu abraço suado,

Antes e depois,

Durante e muito mais,

Como loucos, como animais,

Como pedaços do mesmo todo,

Prostrados e afinal dormentes,

Amortecidos de tanto tesão...

Vera Celms