segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MUITO ALÉM DO COLO




Meus seios são dois segredos,

Tão únicos, tão meus,

Que abraço e escondo com carinho,

Que acolho e recolho como diamantes,

Bruto, farto, precioso,

Não são a medida de mim,

Não são o termômetro de mim,

Mas são amplos

como a minha feminilidade,

como a minha intenção,

como a minha libido crua,

nua e inflamada,

Troféu reservado,

a quem sabe brilhar sutilmente,

Olhe-os ao acaso,

Aprecie-os ou ignore-os,

Dê-lhes somente a suficiente importância íntima,

Conquiste-os,

Se, e somente se os conquistar,

Adore-os, acima ou apesar

de qualquer imperfeição,

Pois neles deposito a maciez da alma,

A profundidade da ternura,

O protuberar da feminina exuberância,

A pureza da maternidade,

A voluptuosidade da fêmea,

Capaz de bailar e desfilar,

De voar e levitar,

de se esconder,

ou se camuflar,

De provocar, por somente dois dedos

aparentes do vão,

pelo precipício sugerido por um decote,

Pelos mamilos eriçados,

que teimam em transparecer pela roupa,

Que podem suplicar ou aceitar um toque,

Mas também incitar ou repudiar,

Podem excitar-se com chulos gracejos,

ou incomodarem-se com desavisada informalidade,

Afinal, não são peitos, mas seios,

São marcas inegáveis do que é ser mulher,

São dois indivíduos tímidos e pudicos,

Que não se apresentam fora do contexto,

Nem fora do tempo,

Mas que se insinuam, se oferecem,

Se entregam inconteste,

sem nenhum limite,

por pura paixão...

Vera Celms


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A obra MUITO ALÉM DO COLO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

Um comentário:

  1. Gostei. Certamente fartos e belos. Iguais tudo em ti. Um beijo em você, inteira.

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