segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ENTÃO ERA SEXO?


Eu falava de pessoa,

Ele falava de sexo,

Eu até então não sabia,

Afinal, nenhuma palavra,

Mas o olhar,

O corpo, o insinuar,

Falavamos de poesia,

Ele falava de sexo,

Então falei de erotismo,

Ele de pornografia,

Então era sexo mesmo,

Mas eu falava da magia,

Ele de vudú,

Eu buscava palavras sutis,

Ele rasgava o verbo,

Pela câmera,

Eu queria ver, nos seus olhos, a sedução,

Seu gesto, sua expressão,

Sua destreza, seu assunto, argumentos,

Ele queria ver meus peitos,

E se zangou,

Quando não o deixei conversar com eles...

Afinal, eles não se chamam peitos,

Mas, seios... e são dois indivíduos,

Tímidos e pudicos,

Talvez, diferentes de mim,

Diferentes da minha poesia,

E muito mais,

Diferentes dele,

Que entendeu tudo errado...

Vera Celms


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MUITO ALÉM DO COLO




Meus seios são dois segredos,

Tão únicos, tão meus,

Que abraço e escondo com carinho,

Que acolho e recolho como diamantes,

Bruto, farto, precioso,

Não são a medida de mim,

Não são o termômetro de mim,

Mas são amplos

como a minha feminilidade,

como a minha intenção,

como a minha libido crua,

nua e inflamada,

Troféu reservado,

a quem sabe brilhar sutilmente,

Olhe-os ao acaso,

Aprecie-os ou ignore-os,

Dê-lhes somente a suficiente importância íntima,

Conquiste-os,

Se, e somente se os conquistar,

Adore-os, acima ou apesar

de qualquer imperfeição,

Pois neles deposito a maciez da alma,

A profundidade da ternura,

O protuberar da feminina exuberância,

A pureza da maternidade,

A voluptuosidade da fêmea,

Capaz de bailar e desfilar,

De voar e levitar,

de se esconder,

ou se camuflar,

De provocar, por somente dois dedos

aparentes do vão,

pelo precipício sugerido por um decote,

Pelos mamilos eriçados,

que teimam em transparecer pela roupa,

Que podem suplicar ou aceitar um toque,

Mas também incitar ou repudiar,

Podem excitar-se com chulos gracejos,

ou incomodarem-se com desavisada informalidade,

Afinal, não são peitos, mas seios,

São marcas inegáveis do que é ser mulher,

São dois indivíduos tímidos e pudicos,

Que não se apresentam fora do contexto,

Nem fora do tempo,

Mas que se insinuam, se oferecem,

Se entregam inconteste,

sem nenhum limite,

por pura paixão...

Vera Celms


Licença Creative Commons
A obra MUITO ALÉM DO COLO de Vera Celms foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

domingo, 15 de agosto de 2010

SEM EXPLICAR


A fantasia lateja,

Quente, insistente,

Indisfarçável,

Faz-me buscar com a mão,

O vértice do meu desejo,

Atiçando, buscando,

Lembrando você,

No toque, na insinuação,

Na ousadia, na safadeza,

Minha fantasia na sua,

Baila, bate coxa,

Roça e empina,

Enroscada em seus braços,

No seu colo,

Inquieto, rijo,

Molhado como eu,

Transparecendo nos olhos,

Na roupa,

Sutilmente se oferecendo,

No melhor foco,

Do seu desejo,

Sei que busca meu passo,

Minhas ancas,

Meu colo farto,

O vãozinho que sobra dos meus decotes,

O lenço que toca minha transpiração,

Indiscreta, rubra,

Sei que espera o movimento da minha mão,

Pra responder com a tua mão,

a inquietude de tanta lascívia,

E eu espero da tua mão, do teu braço,

O vigor, a força,

A atitude da tua pegada,

Do teu toque incisivo,

Insistente e firme,

Irrevogável, impensável,

Mas livre, solto, presente,

Mesmo sem nenhuma explicação,

Basta tesão...

Vera Celms


domingo, 8 de agosto de 2010

TUA PRONTIDÃO...


Saudade,

Tanta saudade,

Teu cheiro, tua imagem,

Teus ombros

Encerrados no meu abraço,

Teu dengo

No meu colo,

Teu banho,

No meu banho,

Teu corpo nas minhas mãos,

Ensaboadas,

Deslizantes de carinho

Teu sono,

Vazado nos teus cabelos

Acariciados pela minha insônia

A lembrança,

Do teu gesto na minha feminilidade

Lotada,

Satisfeita,

Farta,

Risonha,

Meu corpo,

Disponível ao teu corpo,

Na noite,

No meio da madrugada,

Distraída, excitada,

Procurando a excitação,

Do teu corpo,

Dormente,

Tanto mais distraído,

Em espasmos involuntários,

Tão mais delatores,

Do teu desejo,

Da tua vontade,

Desperta, na tua vigília,

Disfarçada pelo sono,

Em prontidão absoluta,

Indiscutível,

E necessária...

Acalentada pelo meu tesão,

E contemplada pelo meu gozo,

Na madrugada insone,

Cheirando a saudade!!!

Vera Celms


domingo, 1 de agosto de 2010

OLHAR ACESO


Procuro pelas ruas,

O formato do seu corpo,

A essência de seu perfume,

O rastro da sua presença,

Seu dorso,

Sua nuca,

Suas coxas,

O movimento das suas nádegas,

Enquanto anda,

Desfilando todos os seus feromônios,

Irresistíveis, indisfarçáveis,

Mas, não encontro,

Ninguém que se assemelhe,

Que mexa comigo,

Como seu olhar,

Como seu gesto,

Como a sua proximidade,

Penso,

Enlouqueço,

Nem sei se te mereço,

Mas sei o quanto seus olhos brilham,

O quanto enrubesce,

O quanto seu corpo se excita,

E se entrega,

E se delata diante de mim,

Por isso, te procuro tanto pelas ruas,

Com o olhar tão aceso,

Vera Celms