domingo, 11 de julho de 2010

DELAÇÃO EM SONHO


Tanto me fazia abraçar-te,

Beijar-te,

Alisar-te o corpo, o dorso,

O vão de tuas pernas, ereto,

Teus pelos,

Nada me deixaria em ponto mais alto,

Estava eu ali, tensa,

Excitada, entregue aos teus olhos,

Meus sentidos todos eram agora teus,

Todas as minhas máculas,

Agora justificadas pelos pecados confessos,

Diante de ti,

Nunca, ou jamais anunciados,

A quem quer que fosse,

Só diante dos teus olhos,

Rubra, latejante e doida,

Sem uma palavra,

Mas com a transpiração a flor da pele,

Poro a poro entregue,

Não precisava de nenhum som,

Bastava te olhar umedecida,

Dos olhos a púrpura,

E os segredos, por fim, todos expostos,

Queimando em si,

Pira inesgotável,

Delatada por um olhar,

Escondido dentre os cabelos desarrumados,

Em alinhamento perfeito,

com a desalinhada boca,

com a insaciável libido acesa,

língua e mãos em combinação perfeita,

ainda que em sonhos secretos,

mas, diante de ti,

possuída afinal por você...

Vera Celms


Um comentário:

  1. Já não sonho. Pelas pontas dos dedos, imagino-te. Leoa, está demais. Beijo do Leão.

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