domingo, 27 de junho de 2010

AMOR FALICO


Dois corpos

Que se entrelaçam

que se entregam,

roçando pelos,

bocas e apegos,

Dois corpos apaixonados,

Não menos excitados,

que se envolvem,

se encontram e se cruzam

se entregam ao deleite prazer

ao mais profundo querer,

E se pegam,

e se inventam,

dos olhos a mais remota fantasia,

e se dobram

e se devolvem

Visão de tendões e músculos,

De mãos firmes,

de cavalgares sedentos,

de pulsares violentos,

punhos, bocas e frenesi

Dorsos desenhados,

Coxas firmes,

E a libido a escorrer,

e a escorregar entre os dedos,

tomados com bocas,

membros e corpos,

colados, suados e delirantes,

flamejantes, trêmulos,

de paixão,

de tesão,

de prazer,

expressão do puro querer...


Vera Celms


sábado, 19 de junho de 2010

SAUDADES MINUSCULAS



Tanto tempo sem noticias,

Sumiu, desapareceu,

Nenhum paradeiro,

Saudade, aqui imperou por muito tempo,

Tentei tirar você do pensamento,

Das noites insones,

Dos dias inteiros,

Habitou tanto tempo meu tempo,

Te vi em cada desconhecido,

Senti seu cheiro,

nos perfumes que me lembraram você

pelos caminhos,

Lembrei de você,

a cada vez que cruzei aqueles corredores,

tumultuados, lotados,

a cada vez que ouvi o alto falante anunciar sua cidade,

Cada vez que fechei os olhos,

te vi apoiado na parede do box,

cabelos molhados,

a água escorrendo pelo teu corpo,

até acabar na minha boca...

Ouvi, ou pensei ter ouvido tantas vezes,

a tua voz chamando meu nome,

Tantas vezes vi,

Seus olhos devorando meu corpo, sedento,

Suas mãos, me bulinando insistente e lascivo,

Quanto falei de você,

como meu homem,

farejando a sua virilidade

sempre tão exposta,

Senti seu toque latente,

ajoelhado ao meu lado na cama,

Todas, foram sonhos, foram ilusões,

Você nunca estava lá...

Agora, que pensei ter te esquecido,

volta gaiato, sorrateiro,

Com beijos e saudades,

abreviados e minúsculos no corpo do e-mail,

depois de tão falha, nula explicação

O que espera que eu diga?

O que posso dizer?


Vera Celms




domingo, 13 de junho de 2010

RENDIÇÃO

Quero que pense em mim,

Como quem pensa em água,

No meio do deserto,

Ávido, sedento,

Capaz de extremos,

E eu te darei meu corpo,

Ansioso, inquieto,

Debruçado no teu prazer,

Pulsando, pronto,

Excitado,

Buscando a tua volúpia,

Expondo aberta, a minha libido,

Inflamada, latejante,

Devassa e despreocupada,

Espalhada no ar,

Indisfarçável,

Basta que me queira toda,

Tanto, que teu prazer te faça doer,

Visível a qualquer distancia,

E eu surgirei, durante o dia,

na noite insone,

Socorrendo o teu delírio,

Como uma enguia,

Deslizando pelo teu corpo,

Como uma aranha a te percorrer safada,

Como uma concha a envolver,

Cada pedaço enlouquecido de ti,

Coberta pelo teu adormecer...

Até o amanhecer...


Vera Celms


domingo, 6 de junho de 2010

QUALEH?



Já te adorei tanto,

Já fiz fogo e fiz fumaça,

Já fiz sol e fiz chover,

Dancei a dança da chuva,

Amontoei gravetos,

Espalhei-os todos,

Já disse que te amava,

Só pra ver se você acordava,

Ou se pegava fogo de uma vez,

Mas você nada fez,

Pensei em fazer mandinga,

Trabalho, vudú,

Sugerir um atalho,

E você se fingiu de morto,

Ouvidos de mercador,

Fez cara de paisagem

Mas, continua por perto,

Rondando,

Vez em quando te vejo aqui e ali,

Sondando, vasculhando,

Espiando,

Não sei se o que te falta é tesão,

ou se te falta a ereção,

Não sei se te falta coragem em me querer,

ou de assumir o desejo...

Então te deixo tomar distância,

Quem sabe assim você ganha impulso,

Ou me perde de vista...


Vera Celms