domingo, 28 de fevereiro de 2010

SEU SANTUÁRIO



Meu corpo,

Na sua proximidade,

É um santuário,

Que cultua o seu prazer,

Que nutre a sua lascívia,

Que lambe,

A sua libido inflamada,

A sua fantasia avolumada,

A sua imaginação indecente,

rasgada,

Nada, nesse culto é vulgar,

Ou prolixo,

Nada é acaso,

Nem sem querer,

Nada é embuste,

Tudo é milimetricamente sonhado,

Imaginado,

Incrementado,

Mas, acontece naturalmente,

Como a fé,

Como o desejo,

Como o arrepio na pele suada,

Como a promiscua safadeza,

A que nos permitimos,

Só a nós, entre quatro paredes,

Vigiamos nós, o nosso isolamento,

Cuidamos nós, do nosso deleite,

Vivemos nós, o nosso delírio,

Na sua proximidade,

Meu corpo é um santuário,

Em que te permito qualquer culto,

Onde nada é demais,

Nem além,

Onde o aquém não existe,

Não há fronteiras,

Nem limites,

Sua fantasia é o meu prazer,

E a minha... o seu êxtase,

Deliramos em viagens transcendentais,

Que acabariam além da porta,

Não fosse a eternização da imagem,

A cada baixar de nossas pálpebras,

Em sonhos,

Em outras dimensões,

Onde levitamos de tesão,

Querendo mais,

Sonhando de novo,

Acordados,

Desejando mais um momento,

Um toque,

Um sensor que nunca fora desligado

Ou esquecido em stand by,

Na sua proximidade,

Meu corpo é um santuário,

Onde, eu cultuo você...


Vera Celms


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