domingo, 28 de fevereiro de 2010

SEU SANTUÁRIO



Meu corpo,

Na sua proximidade,

É um santuário,

Que cultua o seu prazer,

Que nutre a sua lascívia,

Que lambe,

A sua libido inflamada,

A sua fantasia avolumada,

A sua imaginação indecente,

rasgada,

Nada, nesse culto é vulgar,

Ou prolixo,

Nada é acaso,

Nem sem querer,

Nada é embuste,

Tudo é milimetricamente sonhado,

Imaginado,

Incrementado,

Mas, acontece naturalmente,

Como a fé,

Como o desejo,

Como o arrepio na pele suada,

Como a promiscua safadeza,

A que nos permitimos,

Só a nós, entre quatro paredes,

Vigiamos nós, o nosso isolamento,

Cuidamos nós, do nosso deleite,

Vivemos nós, o nosso delírio,

Na sua proximidade,

Meu corpo é um santuário,

Em que te permito qualquer culto,

Onde nada é demais,

Nem além,

Onde o aquém não existe,

Não há fronteiras,

Nem limites,

Sua fantasia é o meu prazer,

E a minha... o seu êxtase,

Deliramos em viagens transcendentais,

Que acabariam além da porta,

Não fosse a eternização da imagem,

A cada baixar de nossas pálpebras,

Em sonhos,

Em outras dimensões,

Onde levitamos de tesão,

Querendo mais,

Sonhando de novo,

Acordados,

Desejando mais um momento,

Um toque,

Um sensor que nunca fora desligado

Ou esquecido em stand by,

Na sua proximidade,

Meu corpo é um santuário,

Onde, eu cultuo você...


Vera Celms


domingo, 21 de fevereiro de 2010

LOUCA DE PRAZER



Já me vejo nos seus braços,

Longos braços que me enlaçam,

Desde tanto tempo,

Desde sempre,

Mas nunca mais, tão confessos...

Nunca tão determinados...

Desta vez eu quero,

Me aninhar no seu abraço,

E depois de muito beijar sua boca,

Me entregar voluptuosamente,

ao seu tato,

Ao seu paladar,

A sua exploração,

Quero me dar safadamente,

as suas mãos,

as suas pernas,

Ao roçar do seu corpo safado,

Muito excitado,

Muito ansioso,

Pelo tanto tempo

Pela tanta distancia

Desta vez, o mundo vai mudar de lugar,

Vai recostar no seu peito,

Forte, suado, nervoso...

E o seu estômago vai gelar,

Como o meu...

As mãos vão suar,

Mas nossos corpos vão se amar tanto,

Tanto... que como antes,

Não sei se terei pernas para sair,

Cabeça para voltar,

E peito para suportar,

O tanto que meu coração vai bater,

Forte, alto, descompassado...

Desta vez, quero me perder em você,

E me deixar em voce,

Sem resgate...

Suspirando e sorrindo,

Enlouquecida de prazer...


Vera Celms


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

PRA CASA


Te chamei de volta pra casa,

Ainda que nem fosse pra mesma,

Se perder entre tantas,

Entre tantos,

Entre tudo...

Pra que isso?

Se soubesses o caminho de volta,

Ainda que não tivesses vindo ainda,

Voltaria para meu coração,

Que já foi apaixonado

Já foi enganado,

Já foi iludido

E decepcionado

Me deixou sozinha ao relento,

Com medo do faz de conta,

Com medo de talvez não dê,

E foi sassaricar em outras bandas

Te chamei de volta pra casa,

Mas fez ouvidos de quem não ouviu

De mercador,

Surdo...

Fez olhos de quem não viu,

Ares de quem não sabia,

Passou direto,

Como se não reconhecesses,

O som da minha voz,

O faro do meu cio,

O gosto da minha língua,

E a mão que sempre te acaricia,

Ainda que de longe,

Tudo tão familiar,

E fingiste que nunca soube

E feriste meu coração feminino

Faminto,

Sedento,

Safado...

Então vai...

Procura outros ares,

Outros montes,

Outros ribeirões,

Outras camas talvez,

Vá amar como os animais,

Por instinto, por faro,

Se esqueceu da fêmea que te quis...

Vera Celms

domingo, 14 de fevereiro de 2010

OUTRO MUNDO



Não veio do outro mundo,

Veio de mundo outro...

Veio do continente quente,

Do continente negro...

Trouxe a melanina farta no olhar

Na transpiração,

Veio do outro lado do mundo,

Não pode me dar as mãos,

Não pode selar meus lábios num beijo,

Mas, após fechada a porta,

Agarrou-me...

Resgatou em mim, a mulher,

Beijou-me a boca,

Sorveu minha língua,

Emprestou as mãos ao meu corpo,

Com óleo perfumado,

Massageou minhas costas,

Minhas coxas,

Minhas virilhas,

Meus seios...

Sentiu cada pedaço excitado de mim

Beijou meu corpo todo,

Abraçou-me incansavelmente...

Reconheceu,

Com o paladar apurado,

Cada poro do meu corpo,

Galgou, cavalgou,

Grudou seu corpo ao meu,

Fez-me sentir, o fundo do meu

Com o seu, corpo excitado,

Me fez delirar cem vezes,

Me fez levitar,

Suplicar seu calor,

Com meu corpo já suado,

Cansado,

Extasiado, adormeceu ao meu lado,

Enquanto velava seu sono

Até meu adormecer...

E me acordou fazendo amor...

E veio de outro mundo...

Pra mim...

de passagem por aqui!!!


Vera Celms