domingo, 17 de janeiro de 2010

JACAREINDO


Sinto teu halito,

Escondido atrás das janelas virtuais,

Chamando meu nome...

Sinto tua presença me espreitando,

Esperando, como eu, a primeira palavra,

Esperando, como eu, que o outro se envergue,

Sinto teu cheiro,

Do teu cio, do teu prazer,

Da tua saudade, como a minha

Tão aguda,

Tão presente,

Queria tanto te ver,

Te sentir de novo,

Presenciar a sua virilidade

Apoiada na parede do chuveiro...

Diante dos meus olhos,

Diante do meu corpo nu excitado

Sedento,

Possuído pela sua libido na minha,

Insistente no prazer já havido...

Lembrando do primeiro olhar,

Do primeiro toque

Safado, bulinador, marginal

Delicioso... inesquecível,

Queria tanto que o tempo voltasse

Lá atrás, nos corredores,

No meio dos transeuntes,

No meio da confusão,

Dos auto falantes, dos avisos

E da ensurdecedora vontade,

De olhar mais um pouco,

De abraçar, de beijar,

De te provocar,

De cutucar seu corpo

Com a minha ponteaguda e inflamada lascívia,

Com a minha mão inquieta,

Mas, neste momento,

Até nossos corpos

Estão em compasso de espera,

Escondidos atrás de magoas nebulosas,

Mas não menos excitadas e sedentas,

Te espero ainda voltar,

Quem sabe um dia

Ou quem sabe nunca mais...


Vera Celms


Um comentário:

  1. Pensei que não fosse mais ouvir falar no jacaré. Ele já foi tarde. Beijão do Leão. Com ciúmes.

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