domingo, 31 de janeiro de 2010

DE REPENTE



Quero ser tormenta,

Que chega de repente

Em águas mansas...

Quero ser tempestade,

Que escurece, à sua vista,

O dia ensolarado...

Quero ser estrondo,

Que lhe rouba os sentidos

Em quietude intensa...

Quero surpreender,

Seu corpo,

Sua visão,

Seu sossego,

Sua lascívia,

Aparecendo, de repente

Diante do seu corpo excitado

Em qualquer lugar do seu dia,

Levando-o às ultimas conseqüências

No fervor da minha boca sedenta

Enlouquecida

E descontrolada...

Eu, somente, a sua frente,

Uma completa e irresistível alucinação...


Vera Celms


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

SONHANDO DE NOVO



O pesadelo acabou,

As sombras desapareceram

As curvas do caminho acabaram

As estrelas voltaram a brilhar,

Minha Deusa voltou a sorrir lá de cima,

Meu peito repleto explodiu afinal

A saudade que era tanta,

Aumentou na madrugada insone,

Saber da mesma vontade

Saber que seu corpo também reclama,

A falta do meu,

Saber que sua libido buscou a minha,

Atrás do vidro embaçado,

Atrás do cio aguçado,

Que a visão do meu corpo o seu dilata,

Que o volume do seu prazer se delata,

Imediato, forte,

Reclamando a mesma ausência,

Os mesmos momentos,

Os mesmos sentimentos,

Continuo querendo você,

Quero me dar a você,

Quero que me ame,

Tanto, sempre,

Como se fosse o final do mundo,

Como se fosse o ultimo dia,

Como se não fosse haver amanhã,

Nunca mais.

Quero sua virilidade toda,

Em cada gesto,

Em cada atitude,

Quero suas mãos,

Quero sua ardência,

Em cada beijo, em cada toque,

Em cada intenção,

Quero ser sua musa insana,

Sua deusa ímproba,

Sua mulher impura...

Sua, só sua, sempre...


Vera Celms


domingo, 24 de janeiro de 2010

ESCONDE-ESCONDE


Tem uns amores,

Que me deixam louca,

Atirando pedras pelas costas,

Querendo fazer justiça com minha mão,

Louca pra dizer adeus,

Vai logo, até nunca mais...

Uns outros passam,

Pouca diferença fazem,

Poucas lembranças jazem,

Ficaram no semi-adeus

Poucos me deixaram louca,

Tentando recolher as pedras,

Tentando reconstruir com elas um caminho

Mas, viraram meio que semi deus

Jamais diria que fosse, ciao

Mas tem um outro tipo de amor,

Que veio, por perto passou,

Nem olhou, só vislumbrou,

Deixou no ar o rastro de um perfume,

Ou do cio,

Cantou, fez versos,

Deixou um gosto de quero mais,

Deixou a mão estendida,

Mas fora de alcance,

Quando vou, vai,

Quando não vou, vem,

Isso me deixa louca,

Hajam amores...


Vera Celms


domingo, 17 de janeiro de 2010

JACAREINDO


Sinto teu halito,

Escondido atrás das janelas virtuais,

Chamando meu nome...

Sinto tua presença me espreitando,

Esperando, como eu, a primeira palavra,

Esperando, como eu, que o outro se envergue,

Sinto teu cheiro,

Do teu cio, do teu prazer,

Da tua saudade, como a minha

Tão aguda,

Tão presente,

Queria tanto te ver,

Te sentir de novo,

Presenciar a sua virilidade

Apoiada na parede do chuveiro...

Diante dos meus olhos,

Diante do meu corpo nu excitado

Sedento,

Possuído pela sua libido na minha,

Insistente no prazer já havido...

Lembrando do primeiro olhar,

Do primeiro toque

Safado, bulinador, marginal

Delicioso... inesquecível,

Queria tanto que o tempo voltasse

Lá atrás, nos corredores,

No meio dos transeuntes,

No meio da confusão,

Dos auto falantes, dos avisos

E da ensurdecedora vontade,

De olhar mais um pouco,

De abraçar, de beijar,

De te provocar,

De cutucar seu corpo

Com a minha ponteaguda e inflamada lascívia,

Com a minha mão inquieta,

Mas, neste momento,

Até nossos corpos

Estão em compasso de espera,

Escondidos atrás de magoas nebulosas,

Mas não menos excitadas e sedentas,

Te espero ainda voltar,

Quem sabe um dia

Ou quem sabe nunca mais...


Vera Celms


domingo, 10 de janeiro de 2010

FORASTEIRO



Passou mais uma vez,

Por baixo da minha janela,

Rezou primeiro, pedindo proteção,

Abriu o balaio de gato

E começou a cantação...

A serenata foi muito boa,

Mas não deu sustentação,

Entrou assim mesmo,

Beijou, abraçou, amassou,

Levantou as minhas saias,

Fez um carinho nela

E antes de sair pela janela,

Levantou as calças,

Bateu a poeira,

Colocou o chapéu de lado,

E partiu...

A moda do velho oeste,

Também, quem mandou gostar de cowboy...


Vera Celms