domingo, 29 de novembro de 2009

DISTÂNCIA GEOGRÁFICA



Minha fêmea fareja seu cio,

Doce, manso, freqüente...

A distancia impede que sinta meu cheiro,

O calor da minha pele,

A transpiração da minha imaginação...

Formulo as palavras certas,

Crio imagens, como semente em solo fértil

Me imponho a sua rigidez,

Nas curvas que traço, sem sequer um toque,

No corpo que construo a sua frente,

Para que possa desejar,

Para que possa aumentar o seu querer,

Imagino seus olhos úmidos

Sua respiração ofegante,

Suas mãos ávidas, de mim... de você

Crio aqui a minha imagem,

Seu corpo aflito fala alto, sem palavras,

Se lança e se retrai,

Em movimentos cadenciados,

Procurando na distância e encontrando no pulsar,

O mesmo desejo, a mesma cadência,

O mesmo cio,

A mesma avidez latejante avolumada e corada,

Brilhante, como uma cúpula,

Como uma lâmpada incandescente,

Algo com a rigidez e a delicadeza de um vidro,

De um cristal,

De leve tilintar,

De quase delirar,

De tesão, de vontade de entrar...

De introduzir,

De arremeter... de enlouquecer...

De ter alguém pra tocar,

E pra apertar, e pra se agarrar,

Pra gritar e pra gemer,

Pra unhar e pra arder,

Pra beijar e pra morder,

Pra ter e ver o olho a brilhar,

Antes e depois de tudo, e de novo recomeçar...

Vera Celms


terça-feira, 10 de novembro de 2009

AGORA QUERENDO MAIS...


Alguns olhares pedem...

Alguns movimentos furtivos, eriçam...

Alguns toques enlouquecem...

A delicadeza de um dedo levado a boca,

Umedece, lubrifica, para facilitar o toque,

O tatear, o vasculhar e o intrometer...

O invadir... o transitar,

De um pólo a outro do prazer

Fazendo a visão turvar,

Fazendo o quarto rodar,

O prazer tremer, em todo o corpo...

Enlouquecer ponto a ponto, gradualmente

Doce toque de fortes mãos,

De dedos hábeis,

Restringindo, massageando e expondo segredos,

De destreza sutil, certeira e exploradora,

Curiosos: redescobrindo espaços,

Boca provocante, molhada, sedenta...

Invadindo meus ouvidos; barulho molhado,

Que se confunde com o barulho do meu muito querer,

Ou do seu tanto provocar, meus sentidos,

Minha libido...

Os reflexos todos prontos, renovados,

No despertar...

Das nossas bocas ainda insaciadas,

Das nossas mãos que ainda nervosas procuram guardar,

Sensações, memória tátil, para sentir saudade depois,

Sussurros que projetam pequenas imoralidades,

Dando nome a cada arrepio da pele,

A cada pensamento entumecido, lisinho, molhado...

A cada chorinho extasiado...

A cada espasmo delirante,

A cada vez que mordo o lábio,

Que fecho os olhos,

Que propicio seu toque intrometido e longo,

Fazendo meus músculos retesarem,

E se alongarem, em busca de novas expressões,

De novos suores, de novas vibrações,

Loucas, densas e profundas,

Dizendo sem palavras: quero mais,

Na linguagem do corpo, disponível,

Na provocação quase involuntária,

Na demência do meu gozo,

Monitorado pelo seu olhar de indefensável malicia,

Seduzida pelo seu gesto viril,

Pela insistência do seu estímulo, apesar do clímax,

Mas, que se faz explodir nova e seguidamente,

Em cores e formas,

Em clarins, em sinfonia de rouxinóis,

Em cheiros, gostos e feromônios,

Num vai e vem de luzes e nuances de seda,

Irresistível, insustentável, incorrigível,

Momento de prazer,

Até que o corpo suado, cansado e extasiado se deixe esmorecer,

Pedindo mais e mais, novamente,

Sussurrando, quase suplicando você...

Pra sempre... levitando de tesão...

Vera Celms