domingo, 14 de junho de 2009

CRIAÇÃO DA XOXOTA


Sete bons homens de fino saber

Criaram a xoxota, como pode se ver:

Chegando na frente, veio um açougueiro.

Com faca afiada deu talho certeiro

Um bom marceneiro, com dedicação.

Fez furo no centro com malho e formão

Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.

Forrou com veludo o lado interno

Um bom caçador, chegando na hora.

Forrou com raposa, a parte de fora.

Em quinto chegou, sagaz pescador.

Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.

Em sexto, o bom padre da igreja daqui.

Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'.

Por fim o marujo, zarolho e perneta.

Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...

Buceta!

Mario Quintana

domingo, 7 de junho de 2009

SEDENTA


Essa boca sempre povoou meus sonhos... todos...

A mesma boca que dita minha razão nos momentos mais críticos, ainda que em sonhos, me dizendo palavras duras, difíceis e resolutas, é a boca que ilustra lúdica meus sonhos, em sorrisos delirantes.

Possui o gosto do beijo e a ousadia das delícias e das loucuras também...

É a boca perfeita... na forma, umidez, fantasia e paixão.

Esta boca contém, tem contido, gera, enriquece, brota, floresce e enternece.

O toque perfeito, o gesto sonhado, o sorriso necessário, as palavras todas, das mais doces as mais lancinantes. Qualquer momento cabe nesta boca.

Sussurra no meu despertar, se insinua na madrugada, que agitada transcorre insone na sobressaltada excitação, e busca insistente, até vencida pela saciedade, em espasmos de prazer, que sorridente se delata, até o adormecer.

Essa boca é sugestão, é pretensão, êxtase completo que insaciável, se repete na multiplicidade do prazer e acalenta, delicada como o pousar de uma borboleta, na minha fronte ainda inundada.

Essa boca freqüenta minha lembrança, lidera meus pensamentos e desordena minha razão. Transpõe o sonho como mágica e aterrissa na realidade. Mordiscando cada pedaço impensado de mim, que desavisado se arrepia, se eriça, se prontifica. Faz de mim lava incandescente que escorre pelos lençóis, pelo tapete, pelo banco do carro. Mãos aflitas socorrendo minhas sensações mais íntimas, lembrando a minha boca a falta da sua, que retorna num repente, sem que jamais tenha saído do lugar.

Quero essa boca diante dos meus olhos cerrados de prazer, sussurrando imoralidades nuas aos meus ouvidos, sorvendo a minha língua, percorrendo úmida meu corpo desassossegado, inquieto, se contorcendo até que minhas pernas se abram à sua exploração.

Quero oferecer meu sexo todo, corado, inchado, exposto, pulsante, molhado, louco, aberto pela ajuda das suas mãos descontroladas.

Quero essa boca lambendo meu controle, meu equilíbrio, minha razão toda, arrancando da minha boca afinal, a expressão da minha loucura mais demente. Quero gritar no gozo do prazer derramado nessa boca, inundada de mim...

Ainda que eu acorde logo em seguida, ou nunca mais... gritando seu nome...suplicando mais um beijo...


Vera Celms