domingo, 12 de abril de 2009

LONGO EXPEDIENTE


Já era difícil segurar as demonstrações do que se passava na minha imaginação. Sempre tive a imaginação muito fértil e mais ainda quando algum motivo, ou alguém provocava os meus sentidos.

Vanderlei era vigia no prédio onde trabalhava. Negro, aproximadamente 1,90 m de altura, maduro, corpo não atlético, mas muito, muito atraente. Encontrava-o sempre no mesmo horário, no refeitório do andar térreo, onde costumava jantar.

Era inevitável a demonstração do interesse que aquela figura gerava em mim. Todas as vezes que passava por ele, seu olhar se revelava avassalador. Olhava meu corpo como se olhasse a mesa de um banquete.

Era difícil andar, sentindo a força e o desejo de seu olhar acompanhando meus passos. Quase embaralhava as pernas, sentia medo de perder o passo e tropeçar, escorregar, enfim, me embaraçava muito, mas eu A D O R A V A ser tão desejada.

Sempre soube de quanto provocava fantasias, pela forma como me vestia, como andava, como sentava e como devolvia os olhares. Tudo muito sutil, porém muito provocador.

As pessoas não envolvidas neste jogo, talvez não percebessem alguns códigos e detalhes.

Quantas vezes não fui para o trabalho sem calcinha, fosse sob calças de jeans, vestidos, saias. Quantas não foram os decotes provocantes que me deixavam com o vão dos seios à mostra e quantos não foram os gestos, que demonstravam aos ‘interessados’ as condições em que me apresentava, sem entretanto, nenhuma certeza.

Confesso, eu não era uma pessoa muito comportada, e isso é que me tornava tão interessante, em oposição ao meu jeito tão casual.

A verdade, é que não me excitava com facilidade; eu estava permanentemente excitada. Assim como, estava permanentemente com algum detalhe ousado, e imaginando que as pessoas podiam percebê-los, estava constantemente em estado de excitação, por mais leve que fosse.

Naquela noite, estava de saia de linho branca, característica e levemente transparente. Abotoada na frente, deixava insinuado um joguinho de mostra esconde entre os botões. Ensaiei diante do espelho algumas posições que permitiam alguma visibilidade a quem estivesse por perto.

Cheguei ao refeitório no mesmo horário de todas as noites, na certeza de encontrar Vanderlei, como sempre ocorria.
De fato, lá estava ele com o olhar ansioso, fixo na direção da porta de entrada.

Ao me ver, abriu um sorriso insinuante e permaneceu me acompanhando com o olhar, de forma incisiva e nada discreta.
O dia todo me preparava para aquele momento.
Entrei na fila para me servir, e ‘naturalmente’, consegui parar num ângulo muito propício, que permitiu que ele visse o que eu queria lhe mostrar.
Senti que a reação foi imediata. Vanderlei estava sentado a uma certa distância e se moveu na cadeira de forma inquieta e agitada, levando a mão rapidamente a frente de seu corpo, permanecendo lá por algum tempo com movimentos fortes e sutis.
Vanderlei estava bastante incomodado, não fazia nenhuma questão de esconder de quem quer que fosse, a insistência de seu olhar e seu indisfarçável interesse.
Com a bandeja nas mãos, parei, em nova posição já ensaiada, e encontrei rapidamente um lugar, a uma certa distância, bem diante dele, onde a visão era direta. Ele estava só, e parecia ser no mundo, naquele momento.

Apoiei a bandeja por sobre a mesa para que pudesse me sentar. Me sentei, e o movimento me permitiu abrir a pernas o suficiente para que ele tivesse a certeza da visão que teria tido a momentos atrás.

Entretanto, no momento em que me sentei, olhei para trás, na direção da televisão, que permanecia ligada no local, e com as pernas ainda entreabertas, por alguns segundos, permaneci assim, até que voltasse a concentrar minha atenção na minha bandeja diante de mim, e Vanderlei, embora mais longe, demonstrava estar mais perto que ela própria.

Fiz questão de fitar aquela figura desconsertada e desconcentrada à minha frente, como se nada estivesse acontecendo.
Jantei, me preocupando em manter um vão considerável entre minhas pernas abertas para que ele não perdesse a visão durante todo o meu jantar.
Eu estava enlouquecida de tesão naquele momento, tão excitada que achava que gozaria a qualquer momento, sem nenhuma necessidade de tocar meu corpo.

Terminei de jantar e retornei ao meu andar. Sentia-me molhada, quente, louca.

A vontade que tinha naquele momento era de alimentar toda aquela fantasia, mas sabia que se fizesse isso, em pouco tempo estaria ‘satisfeita’, e não era esse o meu plano.

Meu horário de trabalho era até as 23 horas e o de Vanderlei era até as 6 horas da manhã seguinte.

Costumava ir embora com a condução fretada pela Empresa, uma Van que ficava estacionada no terceiro subsolo e que nos levava até em casa.
Vanderlei sempre passava pelo meu andar com alguma freqüência. Porém, naquela noite ele passava o tempo todo. Ia e voltava como se estivesse impaciente e não em ronda, que era seu trabalho.

Faltavam 10 minutos para as 23 horas e resolvi descer um pouco mais cedo naquela noite em direção ao terceiro subsolo. Encontrei Vanderlei no hall dos elevadores a minha espera.

Naquele horário, eu era a única pessoa a descer no meu andar e entramos juntos e sozinhos no mesmo elevador.
Nenhuma palavra foi dita, até chegarmos ao primeiro subsolo, quando o elevador parou e fui puxada pela cintura, de forma vigorosa para o estacionamento da frota da empresa, cheio àquela hora da noite, ocultando inteiramente, pela falta de luzes diretas, dois seres excitados e enlouquecidos.

Vanderlei me levou para um lugar, entre os carros ali estacionados, onde um estava com a porta traseira aberta.
Me olhou bem dentro dos olhos, de uma forma que jamais vou me esquecer, e sem pedir licença e sem nenhuma cerimônia, me tomou num beijo ardente, enquanto levantava minha saia até a cintura.
Abriu minha blusa e descobriu que além de estar sem calcinha, também estava sem soutien naquele dia.
Estava eu naquele momento, nua diante dele, que apalpou cada ponto escondido do meu corpo sem nenhuma resistência, me chupando, me lambendo, e cobrindo meu corpo com o seu nas mais diversas posições.
Primeiro em pé, encostada no carro. De frente, de costas, com a perna levantada, com as pernas afastadas. Depois, sentada por sobre o capô do carro, podia ver aquela escultura de ébano, com a cabeça no meio das minhas pernas.

Nos acabamos completamente, eu debruçada no banco detrás do carro, penetrada por trás, até seu corpo suado se deixar cair relaxado sobre o meu...

Vera Celms